O quarto fechado — Conto erótico

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CONTO

por Lavínia Duarte

Júlia mantinha o quarto de hóspedes trancado. Dizia que era porque estava bagunçado. O marido nunca perguntou.

O quarto não estava bagunçado. Estava arrumado com uma precisão que era, em si, uma confissão. Lençóis de linho cor de vinho. Duas velas no criado-mudo — nunca acesas para o marido. Um exemplar de Anaïs Nin marcado na página 73, sempre a mesma página.

O quarto era dela. Não dela-esposa, não dela-mãe, não dela-gerente-de-projetos. Dela. A mulher que existia antes do casamento, antes dos filhos, antes do piloto automático que a vida ligou sem pedir permissão.

Às terças, quando as crianças estavam na natação e o marido no escritório até as sete, Júlia trancava a porta. Acendia as velas. Tirava os sapatos. E lia.

Lia lentamente, como se cada frase fosse um toque. A prosa de Nin era assim — não descrevia sexo, descrevia o ar antes do sexo. A tensão entre dois corpos que sabem o que vai acontecer mas adiam, adiam, porque o adiamento é o prazer.

Às vezes, Júlia parava de ler e fechava os olhos. Deixava a imaginação completar o que o texto começava. E ali, naquele quarto que ninguém entrava, ela se encontrava. Não com outro homem, não com uma fantasia proibida — consigo mesma. Com a mulher que ainda sabia sentir.

Numa terça, o marido voltou mais cedo. Encontrou a porta trancada. Bateu.

"Júlia?"

Ela abriu. Cabelo solto, velas acesas, Anaïs Nin na mão. Ele olhou para o quarto, olhou para ela, e por um instante — breve, frágil — viu a mulher por quem se apaixonou quinze anos atrás.

"O que é esse quarto?" — perguntou.

"Sou eu." — respondeu. Sem pedir desculpa.

Ele entrou. Ela trancou a porta. As crianças só voltavam às sete.

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Lavínia Duarte é ficcionista residente de À Meia-Luz na Xaplin.