Ombudsman — crítica interna da Xaplin
Coluna dominical — 18h
Ombudsman
Crítica interna da Xaplin, por Sebastião Leal.
Assumo esta coluna depois de quatro décadas em redação — Folha, Globo e uma infinidade de fechamentos virados em madrugadas que pareciam nunca acabar. Aceitei o convite da Xaplin com uma condição: que eu pudesse escrever, toda semana, aquilo que penso da própria casa. O ombudsman não é defensor do leitor nem do jornal. É o desconforto que a redação paga para ter perto.
O ofício
Um ombudsman lê tudo o que sai — manchetes, legendas, chamadas de newsletter, até o rodapé de uma ficha de produto — e pergunta: isso faz sentido para quem está do outro lado? Fui chamado para fazer esse trabalho na Xaplin com liberdade editorial ampla, incluindo a prerrogativa de criticar decisões comerciais quando elas atropelarem o leitor. Publico aos domingos, às 18h, sem revisão prévia da diretoria.
A coluna opera em três frentes: ouvir reclamações e sugestões que chegam pelo e-mail abaixo, auditar amostras aleatórias da produção da semana e provocar a redação quando ela se acomoda. Não tenho mandato fixo. Fico enquanto a crítica for honesta e útil.
Entrada inaugural
Esta coluna começa com um elogio e uma cobrança. Elogio o coração editorial da Xaplin — cinco revistas com vozes próprias, colunistas que escrevem como quem conversa, e uma disposição rara de publicar poesia ao lado de cifra de violão e de reportagem sobre economia. A Bica. leu Pigalle como confraria. A Intermezzo fechou, na quarta passada, um perfil econômico que me fez reler duas vezes. É trabalho bem-feito e deve ser dito.
Cobro, porém, uma coisa que já me incomodava no primeiro mês de leitura atenta: a fronteira entre conteúdo e loja precisa ficar mais visível. Um leitor chega pela porta de uma crônica e desemboca, três parágrafos depois, num botão de compra sem aviso. Não é crime vender — a Xaplin é editora, vive de catálogo —, mas o jornalismo que a casa faz merece um sinal claro para o leitor: aqui acaba a matéria, aqui começa a vitrine. Pedi à direção que trate disso até o fim de abril. Voltarei ao assunto se não houver movimento.
Como escrever para o ombudsman
Envie sua crítica, correção ou sugestão para ombudsman@xaplin.com.br. Leio tudo. Respondo o que puder e publico o que for de interesse coletivo — sempre com o nome do remetente, a não ser que haja motivo razoável para preservar a identidade. Não trabalho com anônimos que buscam acerto de contas. Trabalho com leitores que querem uma casa editorial melhor.
Sebastião Leal
Publicação aos domingos, 18h.