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Brasil estreia na Copa do Mundo com formação inesperada

Na estreia do hexa em busca do título, seleção brasileira surpreende com escalação diferente no MetLife Stadium.

Brasil estreia na Copa do Mundo com formação inesperada

Análise · Marcos Tibúrcio

Havia um plano. É o que se imagina, ao menos, quando uma seleção entra em campo numa estreia de Copa do Mundo. O Brasil pisou no MetLife Stadium, em Nova Jersey, diante de Marrocos — equipe que em 2022 chegou às semifinais e há muito deixou de ser surpresa para ser problema — e saiu atrás no placar. Buscou o empate com Vinicius Jr. Terminou em 1 a 1. Dramático, sim. Satisfatório, não.

O resultado em si não elimina ninguém. A fase de grupos existe exatamente para absorver tropeços e permitir correções. Mas há tropeços que revelam e há tropeços que escondem. Este, pelo que a partida mostrou, pertence à primeira categoria.

Marrocos não é uma equipe que surpreende por acidente. É uma seleção construída com método, com identidade tática clara, com jogadores formados nos principais campeonatos europeus e com a memória viva do que fizeram no Catar. Eles sabem jogar Copa. Sabem o que é pressão de 90 minutos em estádio lotado. E, o que é mais relevante, sabem como fazer o adversário grande se sentir pequeno — bloqueando espaços, forçando erros, esperando o momento certo.

O Brasil saiu atrás. Esse detalhe importa mais do que parece. Uma seleção que carrega o peso histórico do hexa, que entrou na Copa como candidata declarada, que mobiliza um país inteiro a cada convocação — essa seleção cedeu o primeiro gol para uma equipe africana numa estreia. Não é vergonha, é dado. E dado tem consequência.

Vinicius Jr. foi quem respondeu. O gol dele não apagou o que aconteceu antes — apenas adiou o julgamento.

O empate vai gerar memes. Já gerou. A internet brasileira tem pressa e pouca paciência para nuance. Mas por baixo da ironia fácil das redes sociais há uma pergunta legítima que o torcedor faz, às vezes sem conseguir formulá-la direito: esse Brasil tem estrutura para ir longe, ou está sobrevivendo de talento individual? A resposta, depois de 90 minutos no MetLife, ainda não veio.

O futebol de Copa não é o futebol de amistoso nem o futebol de eliminatórias. É outro jogo. Mais lento nos primeiros minutos, mais violento nos últimos, mais cruel nos detalhes. E Marrocos, neste sábado, mostrou que entende essa gramática melhor do que o Brasil demonstrou entender. Isso não é derrota — mas é aviso.

O hexa não começou. Começou a caminhada, que é coisa diferente. E caminhada que começa de lado, num estádio de Nova Jersey, diante de uma seleção que não tem medo de nenhuma camisa amarela, exige mais do que um gol de Vinicius para convencer. Exige resposta coletiva, não individual. Exige, sobretudo, que o próximo jogo mostre algo que este não mostrou: um Brasil que sabe o que quer quando tem a bola.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil empata com Marrocos em estreia na Copa do Mundo

Fontes: Agência Brasil · Folha de S.Paulo · CNN Brasil