Brasil sobrevive na estreia da Copa América
Análise sobre o desempenho da seleção brasileira em seu primeiro jogo da competição, disputado em East Rutherford.
Análise · Marcos Tibúrcio
East Rutherford, 13 de junho. A seleção brasileira entrou em campo pela primeira vez nesta Copa do Mundo de 2026 e saiu com um empate. O número, frio, não conta nada. O que aconteceu no MetLife Stadium foi outra coisa: o Brasil foi para o jogo e Marrocos também foi — só que por caminhos completamente diferentes.
A promessa de dificuldade estava feita antes do apito inicial. Marrocos não é adversário que se resolve na conversa. A seleção africana aprendeu, no Catar, que o futebol de organização e pressão coletiva pode dobrar qualquer gigante — e não esqueceu a lição. Chegou ao MetLife sem qualquer reverência, sem a cortesia dos times que aparecem para perder bem. Veio para ganhar.
O Brasil, de sua parte, apresentou o que tem apresentado com recorrência perturbadora: talento individual em excesso e fragilidade coletiva proporcional. É uma equação que funciona quando o talento explode cedo, quando o jogo abre antes que a organização adversária se imponha. Contra Marrocos, não abriu. E aí o problema ficou visível para quem queria enxergar.
Vinicius Junior evitou a derrota. A frase, por si só, já é um diagnóstico. Numa estreia de Copa do Mundo, o maior jogador do elenco não deveria ser o salva-vidas — deveria ser o detonador. Há uma diferença enorme entre o craque que define e o craque que remenda. Vinicius fez o gol, e o gol importa, mas o contexto em que ele foi necessário diz mais sobre o Brasil do que a comemoração que se seguiu.
Empatar por 1 a 1 na estreia pode ser acidente ou revelação. Contra Marrocos, tem cara de revelação.
A seleção brasileira chega a cada Copa carregando o peso de ser Brasil. Isso tem um sentido técnico — elenco, história, pressão — mas também tem um sentido dramático, que é o que distingue o futebol de outros esportes coletivos. O drama desta tarde em East Rutherford não foi o empate. Foi a sensação, para quem acompanhou, de que o Brasil nunca esteve verdadeiramente no controle do que aconteceu dentro de campo. Sofreu. Reagiu. Não dominou.
Marrocos, ao contrário, jogou como time que sabe o que quer. Há uma pedagogia no futebol marroquino recente que merece respeito: estrutura defensiva sólida, transições rápidas, pressão bem posicionada. Não é futebol bonito no sentido clássico. É futebol eficiente no sentido mais moderno — e, neste sábado, foi futebol superior durante boa parte da partida.
O Brasil avança na Copa com um ponto. Há tempo para construir, ajustar, encontrar o jogo que ainda não apareceu. Mas a estreia deixou uma marca que não some com o resultado: a seleção foi salva por um lance individual numa tarde em que precisava, urgentemente, de uma ideia coletiva. Numa Copa do Mundo, essas tardes têm prazo de validade curtíssimo.
Marcos Tibúrcio, chefe de Esporte da Xaplin
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Brasil empata com Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026
Fontes: Folha de S.Paulo · UOL