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Brasil empata com Marrocos em jogo decisivo

Análise de um empate que revela mais sobre o desempenho das seleções do que o placar sugere.

Brasil empata com Marrocos em jogo decisivo

Análise · Marcos Tibúrcio

Há empates que mentem e empates que contam a verdade. O 1 a 1 entre Brasil e Marrocos na estreia desta Copa, disputada em solo norte-americano, pertence à segunda categoria. O placar é simpático demais para o que aconteceu em campo.

A imprensa internacional não teve a delicadeza de dissimular. Os principais jornais estrangeiros elogiaram Marrocos pelo domínio de bola — não o Brasil, a seleção que chega a cada Copa carregando o peso de ser favorita antes mesmo do apito inicial. Os marroquinos jogaram. O Brasil, em algum momento do primeiro tempo, parece ter preferido observar.

Vini Jr. recebeu o adjetivo que os jornais de fora reservam para os momentos em que não sabem exatamente o que viram: "mágico". É um elogio e uma armadilha. Quando um jogador é chamado de mágico, o subtexto é que o entorno não acompanha. A magia vive do contraste com o ordinário. E o ordinário, nessa estreia, ficou com o verde e amarelo.

Não se trata de catastrofismo. Uma Copa do Mundo é longa, e estreias com tropeço já produziram campeões — a história do torneio está cheia deles. Mas o que a reação internacional revela é algo mais incômodo do que um resultado ruim: revela uma percepção. Marrocos, semifinalista em 2022 no Catar, chegou a essa Copa com credibilidade construída em campo, jogo a jogo. O Brasil chegou com reputação herdada, geração a geração. Há uma diferença entre as duas coisas, e em noites como essa ela aparece.

O domínio de bola não é detalhe tático. É argumento. Quem segura a bola diz ao adversário onde o jogo vai acontecer.

Quando Marrocos manteve a posse com mais consistência do que a seleção brasileira, inverteu uma ordem que parecia natural. O Brasil costuma ser quem dita. Aqui, foi quem respondeu. E respondeu com um empate que a própria imprensa estrangeira tratou como resultado generoso.

O problema não é o 1 a 1. O problema é o que o 1 a 1 sugere sobre uma equipe que ainda não encontrou sua forma — ou que, pior, acredita já tê-la encontrado. Há seleções que chegam a uma Copa em construção e há seleções que chegam convictas de uma grandeza que o campo ainda não confirmou. A segunda postura é mais perigosa, porque não faz perguntas.

Vini Jr. faz perguntas com o corpo. Dribla, arrisca, incomoda. Mas futebol não se resolve com um homem só, e os jornais que o elogiaram foram os mesmos que criticaram o coletivo ao redor. Essa é a frase que o Brasil precisa ler com atenção, antes que o torneio leia por ele.

A Copa tem mais rodadas. Marrocos mostrou que também tem argumento.

Marcos Tibúrcio, Esporte — Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil empata com Marrocos na estreia da Copa do Mundo

Fontes: Folha de S.Paulo · UOL