Jogador paranaense Ruan projeta carreira na Seleção Brasileira
Ruan, jovem talento do Athletico Paranaense, sonha com a Seleção. Aos 19 anos, o atacante já se destaca na Arena da Baixada.
Análise · Marcos Tibúrcio
Dezenove anos. Na Arena da Baixada, dezenove anos é idade de promessa. Na Seleção Brasileira, é idade de assombro. Arthur Dias, o zagueiro do Athletico Paranaense, viu seu nome datilografado numa pré-lista de Carlo Ancelotti. Antes de vestir a camisa, sentiu-lhe o peso. A notícia não vem de um corredor qualquer da CBF; ela viaja em avião de Londres, onde o Tottenham acena com 21 milhões de euros, e aterrissa na prancheta do italiano que inicia seu trabalho rumo a 2030.
O futebol moderno, obcecado por planilhas e percentuais, olha para o rapaz e enxerga um ativo. Oitenta por cento de seus direitos econômicos valem uma fortuna que o Athletico, com a frieza de quem conhece o próprio cofre, recusou. O clube quer mais. Os ingleses, que mandaram seus homens de chapéu coco e caderno na mão para vê-lo contra o Atlético-GO e o Vitória, juram que voltam. O mercado fala sua língua universal, a do dinheiro.
Mas e a bola? E o campo? Ancelotti, um homem que já viu passar de Maldini a Sergio Ramos, não busca um balanço contábil. Busca um zagueiro. Um que saiba o tempo da bola, a hora de encurtar e o instante de não dar o bote. Busca o que os olheiros de antigamente chamavam de "presença". A informação que chega ao técnico é que o garoto a tem. Não é apenas o aval de Branco, um lateral que sabia o que fazer com a bola antes de pensar em cifra. É a percepção, ainda sutil, de que ali pode haver um homem para a defesa por uma década.
É claro que uma pré-lista é pouco mais que um sussurro, um talvez. O futebol já viu centenas de nomes como o de Arthur Dias virarem pó ao primeiro sopro de fama ou ao primeiro drible desconcertante de um atacante argentino. A convocação final, que sai nesta quarta, pode muito bem riscá-lo da folha. Seria o curso natural das coisas. Mas o movimento em si já é um drama. A Seleção, essa entidade que consome carreiras e forja heróis, volta seus olhos para Curitiba.
Ancelotti sabe que seu trabalho é este: encontrar, no meio do ruído dos milhões de euros, o silêncio de um jogador pronto. Um rapaz que, hoje, é um destaque do time de Odair Hellmann, mas que amanhã pode ter de marcar o melhor centroavante do mundo em um estádio hostil. Estará ele pronto não para a proposta do Tottenham, mas para o peso da camisa que vestiram Domingos da Guia e Aldair?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge