Uma inversão de curvas em Pernambuco
Análise · Beatriz Fonseca Uma nova fotografia da disputa pelo governo de Pernambuco foi revelada, e a imagem é a de uma ultrapassagem.
Análise · Beatriz Fonseca
Uma nova fotografia da disputa pelo governo de Pernambuco foi revelada, e a imagem é a de uma ultrapassagem. Pesquisa do instituto Quaest, divulgada nesta terça-feira, 28 de julho, posiciona pela primeira vez a governadora Raquel Lyra (PSD) numericamente à frente do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Campos, Lyra inverte uma tendência que, em abril, apontava uma vantagem de oito pontos para o adversário.
Os números, coletados entre 22 e 26 de julho, situam os dois principais candidatos em um cenário de empate técnico, uma vez que a margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais. No limite dessa margem, Lyra poderia ter 40% e Campos, os mesmos 40%. A significância do dado, no entanto, parece residir menos na posição absoluta e mais na trajetória. A inversão da curva favorável a Campos acontece em um período no qual a gestão de Lyra registrou um aumento de aprovação, que passou de 62% em abril para 68% em julho, segundo o mesmo instituto.
O movimento sugere que a avaliação do governo estadual pode estar se convertendo em capital eleitoral para a titular do cargo. Enquanto a aprovação da governadora crescia, sua desaprovação recuava de 35% para 23% no mesmo intervalo. Na minha leitura, essa dinâmica indica que a campanha pela reeleição encontra um terreno mais sólido para se firmar. A disputa, que se desenhava como um desafio de um nome em ascensão contra uma incumbente, passa a ter contornos de uma competição entre duas forças de peso equivalente, com o pêndulo do momento favorecendo Lyra.
Ainda que a corrida esteja estatisticamente indefinida, a alteração no cenário projeta um novo roteiro para os próximos meses de campanha. Uma parcela relevante do eleitorado, aliás, demonstra que o roteiro ainda está em aberto: 41% dos entrevistados pela Quaest afirmaram que sua escolha ainda pode mudar. Para a campanha de João Campos, o desafio será o de reverter uma tendência desfavorável; para a de Raquel Lyra, o de consolidar um avanço recente. Uma nova fotografia da disputa foi revelada, e as próximas dirão se ela captura um momento passageiro ou uma reconfiguração permanente.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Quaest: Raquel Lyra tem 43% no 1º turno em Pernambuco
Fontes: g1 · CNN Brasil · UOL