Três poemas escritos num guardanapo
A noite cai como quem tropeça no degrau de um bar que jurou nunca mais voltar.
BICA.
Poesia — Caderno do Jazigo do Amadeu
I.
A noite cai como quem tropeça
no degrau de um bar
que jurou nunca mais voltar.
Mas volta.
Sempre volta.
II.
Teu nome caberia inteiro
na distância entre
um gole e o próximo.
Mas eu prefiro
pronunciá-lo devagar,
como quem adia
o fim de uma canção.
III.
O garçom perguntou:
— O senhor vai querer a conta?
E eu respondi que não,
que a conta entre nós
ninguém paga.
— Irene Salvatore, num guardanapo do Jazigo do Amadeu
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