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Pesquisa eleitoral revela isolamento em São Paulo

Novo levantamento eleitoral em São Paulo aponta isolamento de candidatos. Tendências políticas significativas surgem na capital paulista.

Pesquisa eleitoral revela isolamento em São Paulo
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Beatriz Fonseca

Os números de uma pesquisa eleitoral podem descrever um resultado, mas também um isolamento. A um mês da eleição, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 49% das intenções de voto no estado de São Paulo, segundo a pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11). Com 56% dos votos válidos, o cenário aponta para uma possível resolução no primeiro turno. Seu adversário, Fernando Haddad (PT), registra 29%.

A distância de vinte pontos percentuais não é o único dado relevante. A fotografia da pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (SP-04189/2026), mostra também o que acontece ao redor dos candidatos. Haddad tem como missão declarada construir um palanque forte para a campanha presidencial do PT no maior colégio eleitoral do país. O resultado sugere que, no momento, essa construção enfrenta dificuldades estruturais. Do outro lado, o governador apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), mas cumpre poucas agendas públicas conjuntas. Seu partido, o Republicanos, mantém neutralidade na disputa nacional. O avanço de Tarcísio, que em 21 de agosto marcava 45%, ocorre em um quadro de autonomia relativa.

Um governo, dois projetos

A campanha paulista de 2026 se desenrola em dois planos. Um é o da gestão estadual, o outro é o da corrida presidencial. Os números do Datafolha parecem indicar que o eleitor paulista, ao menos até aqui, avalia os dois projetos de forma distinta. A rejeição a Haddad, de 48%, supera a de Tarcísio, de 29%, e se concentra em segmentos como evangélicos (59%) e eleitores com renda acima de cinco salários mínimos (54%). É uma rejeição que espelha padrões de disputas nacionais.

É minha avaliação, contudo, que a força de Tarcísio não pode ser lida apenas como um espelho invertido da rejeição ao PT. A pesquisa espontânea, na qual o entrevistador não apresenta nomes, mostra o governador com 32% das menções, contra 16% de Haddad, e um contingente de 41% de indecisos. Há uma cristalização do voto no atual governador que antecede a comparação direta com o adversário. A campanha de Haddad se apoia na nacionalização. A de Tarcísio, mesmo alinhada a um projeto nacional, parece colher frutos de uma dinâmica mais localizada.

Esta é uma leitura possível dos dados disponíveis até 10 de setembro. Movimentos de campanha e o próprio debate nacional podem alterar a percepção do eleitorado. Por enquanto, os candidatos ao governo de São Paulo parecem caminhar em pistas separadas. Resta saber se, na reta final, essas pistas se cruzarão ou se a eleição paulista continuará a ser uma corrida de um homem só.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Tarcísio tem 49% em SP; Datafolha vê chance de 1º turno

Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil