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Raphinha no banco: a sombra que já pesa no jogo

Análise · Marcos Tibúrcio Há decisões que se tomam antes do apito inicial e que mudam o jogo antes mesmo que ele comece.

Raphinha no banco: a sombra que já pesa no jogo
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Análise · Marcos Tibúrcio

Há decisões que se tomam antes do apito inicial e que mudam o jogo antes mesmo que ele comece. Ancelotti relacionou Raphinha para o banco de reservas contra a Noruega. Não é pouca coisa. Um jogador que não está em campo, mas que está no vestiário, já é uma pergunta feita ao adversário.

O técnico italiano foi claro: Raphinha evoluiu rápido, mas não está em condições plenas. A frase tem duas metades, e as duas importam. A primeira é um alívio — o atacante, que chegou à véspera desta Copa carregando o peso de ser o jogador mais decisivo do Barcelona na temporada europeia, não ficou de fora. A segunda metade é um aviso ao próprio torcedor: não esperem noventa minutos. Esperem um clarão.

Isso muda o desenho do jogo de um jeito que nenhuma lousa tática consegue representar com honestidade. A Noruega sabe que Raphinha pode entrar. Sabe que ele é diferente — não em tamanho ou velocidade, mas na capacidade de criar desequilíbrio em espaços que outros atacantes simplesmente não enxergam. Isso significa que o técnico norueguês, em algum momento do segundo tempo, vai olhar para o banco brasileiro. E vai calcular. E esse cálculo já é uma vitória pequena, silenciosa, para o lado verde-amarelo.

Reserva que assusta não é coadjuvante. É ameaça com poupança.

Ancelotti, que construiu carreira em finais de Liga dos Campeões e não em salas de imprensa, entende isso melhor do que ninguém. Relacionar Raphinha no banco não é uma concessão sentimental ao jogador. É uma escolha técnica com geometria própria: você tem um trunfo, você o guarda até o momento em que ele dói mais. Um Raphinha fresco aos sessenta minutos, num jogo equilibrado, vale mais do que um Raphinha desgastado desde o início tentando ser a Copa inteira em noventa minutos.

O risco, claro, existe. Se o Brasil precisar do jogador cedo — por lesão, por placar adverso, por travamento do sistema — vai acioná-lo antes do planejado, em condições abaixo do ideal. Aí a aposta vira exposição. Ancelotti sabe disso. A decisão, mesmo assim, foi essa. Confiança no elenco titular para o primeiro tempo, trunfo guardado para a hora certa.

Nas oitavas de final de uma Copa do Mundo, detalhes viram destino. O banco de reservas costuma ser tratado como lugar de quem ficou de fora. Hoje, no Brasil contra a Noruega, o banco tem um ocupante que é, ao mesmo tempo, ausência e presença. Ausência do gramado, presença na cabeça de quem vai precisar marcá-lo quando ele aparecer. Ancelotti não começou o jogo às dezesseis horas. Começou agora, na lista de relacionados.

Marcos Tibúrcio — Chefia de Esporte, Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Ancelotti relaciona Raphinha no banco contra Noruega

Fontes: CNN Brasil · ge