Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

França avança, mas a retranca paraguaia deixa rastro

Análise · Marcos Tibúrcio Há vitórias que chegam como suspiro, não como grito.

França avança, mas a retranca paraguaia deixa rastro
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Há vitórias que chegam como suspiro, não como grito. A da França sobre o Paraguai, neste sábado na Filadélfia, foi uma dessas — um pênalti, um gol, uma classificação que tem o tamanho certo no placar e algo maior em tudo o que o placar não registra.

O Paraguai jogou para não perder. Não é acusação — é descrição. Há uma honestidade brutal nessa escolha quando se enfrenta uma das seleções mais talentosas do planeta, finalista das duas últimas Copas, perseguindo um feito que só o Brasil conseguiu: três decisões consecutivas. Diante dessa assombração, a retranca não é covardia. É geometria de sobrevivência.

E funcionou até onde pôde funcionar. A França não encontrou caminho aberto. Encontrou um pênalti. Um único pênalti separou as quartas de final do aeroporto para os paraguaios. Há drama suficiente nessa frase para encher uma tarde inteira.

Mas o que interessa agora não é o Paraguai, que sai de cabeça erguida de uma Copa que sempre foi maior do que ele. O que interessa é o que essa vitória revela sobre a França — e o que ela esconde.

Os Bleus chegam às quartas como chegam há oito anos: carregando um elenco que intimida antes de entrar em campo. A geração que foi finalista na Rússia, campeã, voltou ao Qatar e foi ao segundo lugar; agora está nos Estados Unidos tentando fazer o que nenhuma seleção europeia fez na era moderna — vencer três Mundiais seguidos, ou ao menos chegar às três decisões. O Brasil de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho fez isso entre 1994 e 2002. É a régua. É o fantasma.

Mas entre o elenco e o jogo existe um abismo que a Copa vive apontando. A França não foi dominante. Dependeu de um pênalti. E nas quartas de final, seleções que dependem de pênaltis contra defesas compactas vão encontrar defesas ainda mais compactas.

Isso não é premonição de eliminação — é leitura de torneio. A Copa do Mundo nas quartas de final deixa de ser talento contra organização e passa a ser sistema contra sistema, pressão contra pressão, detalhe contra detalhe. A França tem talento para qualquer coisa. Tem sistema para chegar tão longe quanto o talento sustentar.

A Filadélfia viu, neste sábado, uma seleção que avança sem convencer. Às vezes, é exatamente assim que se ganha Copa do Mundo. O Brasil de 1994 não era bonito; era eficiente e inabalável. A França pode ser isso. A dúvida — e ela é real — é se tem inabalabilidade suficiente para o que vem pela frente, ou se dependerá, outra vez, de um único pênalti no momento certo.

A história das Copas é cheia de seleções que avançaram tropeçando e chegaram às finais em pé. Também é cheia de favoritos que caíram nas quartas sem que ninguém soubesse explicar por quê. A França está viva. Está nas quartas. E está, ainda, por se revelar.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: França vence Paraguai com pênalti e avança às quartas da Copa

Fontes: Agência Brasil · g1