O vôlei brasileiro e o fantasma do quase
Análise · Marcos Tibúrcio Há derrotas que se explicam em números, em táticas, em acertos do adversário. E há derrotas que se instalam na alma.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há derrotas que se explicam em números, em táticas, em acertos do adversário. E há derrotas que se instalam na alma. A seleção brasileira de vôlei feminino, diante da Turquia, não perdeu uma final de Liga das Nações. Perdeu, pela quinta vez, a chance de se livrar de um fantasma que cresce a cada ano: o fantasma do quase.
A história da partida poderia ser resumida em um nome: Melissa Vargas, a cubana naturalizada turca que desembarcou em quadra não para jogar, mas para executar. Seus 33 pontos não são uma estatística; são a materialização do carrasco, a personagem trágica que o enredo brasileiro parece sempre convocar no ato final. Vargas foi a força da natureza diante da qual a técnica, a tradição e a camisa amarela se mostraram impotentes.
Mas culpar o algoz é a saída dos que não querem encarar o próprio drama. E o drama brasileiro é o de uma geração talentosa, que joga um voleibol por vezes brilhante, mas que se vê paralisada na hora de dar o último passo. Desde 2017, o degrau mais alto do pódio em competições intercontinentais se tornou um território estrangeiro. A prata, antes um consolo, virou sina. E poucas coisas no esporte são mais cruéis do que a repetição da frustração.
Em quadra, via-se mais do que um time tentando superar um rival. Via-se um time tentando superar a si mesmo, tentando reescrever um roteiro que já parece conhecido. A virada turca não foi apenas uma virada no placar. Foi a confirmação, mais uma vez, de que o Brasil sabe chegar, mas parece ter se esquecido de como ficar.
Enquanto a festa era turca, do lado de cá restou o silêncio de quem já esteve nesse mesmo lugar. Um silêncio que ecoa em outras finais perdidas, em outros jogos que escaparam por entre os dedos. A questão, agora, transcende o resultado. Não se trata de quem sacou melhor ou bloqueou mais. Trata-se de entender por que, para o Brasil, o último ponto do campeonato tem sido sempre o mais difícil de marcar.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge