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A prata que pesa e o ouro que escapa

Análise · Marcos Tibúrcio Há um silêncio particular que se instala depois da derrota.

A prata que pesa e o ouro que escapa
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Análise · Marcos Tibúrcio

Há um silêncio particular que se instala depois da derrota. Não o silêncio do vazio, mas o que vem carregado pelo peso do que poderia ter sido. Neste domingo, em quadra, a seleção feminina de vôlei do Brasil experimentou, pela quinta vez, a versão mais cruel desse silêncio: o que vem acompanhado de uma medalha de prata na Liga das Nações.

O prêmio de consolação, traduzido em cifras, soma R$ 3 milhões. É um valor que paga salários, financia preparações, justifica investimentos. O dinheiro é a linguagem fria do mérito, a única que o pragmatismo entende. Reconhece o esforço, as nove vitórias na fase de grupos, a campanha que levou as brasileiras, de novo, à decisão. Mas o dinheiro não conta a história.

A história se passou no primeiro set. Ali, o Brasil foi soberano. Abriu 25 a 23 sobre a Turquia com a autoridade de quem se sente em casa no topo. Ana Cristina, com seus 22 anos, virava bolas como se jogasse uma pelada no quintal. Parecia o roteiro ensaiado, a promessa de um desfecho diferente. Mas o vôlei, como a vida, não respeita roteiros. As turcas voltaram. E a cada ponto, a cada virada no placar dos sets seguintes — 26 a 24, 25 a 21 — o que se via não era apenas uma equipe se impondo sobre a outra. Era um fantasma antigo, vestido com as cores do Brasil, assombrando a quadra.

O que são R$ 3 milhões perto da glória? A metade. Literalmente. As campeãs turcas levaram para casa o dobro, mais de R$ 5 milhões. A matemática do prêmio é uma metáfora precisa da distância entre o primeiro e o segundo lugar. Não é uma questão de mérito, mas de hierarquia. O segundo lugar é o primeiro dos que perdem, diz a máxima gasta das arquibancadas.

Após a partida, ouviu-se de Ana Cristina a frase que se espera de atletas de alto nível: "Aprender a valorizar o que é uma medalha de prata". É a declaração correta, a postura de quem entende o tamanho do feito. Mas por trás da maturidade forçada de uma jovem de 22 anos, há uma verdade que pulsa: ninguém entra em quadra para aprender a valorizar a prata. Entra-se pelo ouro. Pela memória que não tem preço, pela história que não se converte em real. O dinheiro vai para o cofre. A prata, para a estante. E a pergunta, incômoda, continua no ar, ecoando até a próxima final: o que falta?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Seleção Feminina de Vôlei fatura R$ 3 milhões na VNL

Fontes: CNN Brasil · ge