O centro de um partido só
Análise · Beatriz Fonseca A convenção que oficializou a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República neste domingo, 26 de julho, é…
Análise · Beatriz Fonseca
A convenção que oficializou a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República neste domingo, 26 de julho, é o movimento mais explícito do Partido Social Democrático (PSD) para ocupar um espaço político antes de ser ocupado por ele. Ao lançar uma chapa com Gilberto Kassab, presidente da legenda, como vice, o partido de centro-direita desenha os contornos de um projeto de poder que depende unicamente de suas próprias forças.
O gesto é inédito para uma sigla fundada em 2011 e que, até aqui, se notabilizou pela capacidade de compor governos, não de chefiá-los no plano federal. A escolha por uma “chapa pura” reforça a natureza do cálculo: trata-se menos de uma aliança ampla para vencer uma eleição e mais da consolidação de uma identidade partidária. É um movimento que busca apresentar o PSD como a alternativa institucionalizada ao que seus líderes definem como a polarização do país.
O percurso de Caiado até a cabeça de chapa ilustra as decisões internas que levaram a este momento. Filiado ao PSD em março deste ano, o ex-governador de Goiás foi escolhido por Kassab após a desistência de Ratinho Jr., governador do Paraná, que era visto como o nome mais provável. A construção da candidatura, portanto, não foi um processo de aclamação espontânea, mas uma costura deliberada pela cúpula partidária, que viu em Caiado o perfil para verbalizar uma agenda de segurança pública — tema prioritário em seu discurso de lançamento.
Em sua fala na convenção, Caiado fez críticas ao Partido dos Trabalhadores e ao que chamou de “sequestro do país por facções”, sem mencionar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O discurso mira um eleitorado específico, que se identifica com pautas conservadoras mas busca um veículo partidário de caráter mais programático e menos personalista.
A candidatura de Ronaldo Caiado já nasce como um teste para a viabilidade de uma sigla que se equilibra entre o pragmatismo e a ambição. Na minha avaliação, o resultado eleitoral de 2026 será, para o PSD, menos relevante do que a sua capacidade de se firmar como um polo de atração permanente no espectro político brasileiro. A convenção deste domingo não foi sobre o início de uma campanha, mas sobre a tentativa de um partido de ocupar um espaço antes que o próprio espaço o torne irrelevante.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: PSD oficializa chapa de Ronaldo Caiado à Presidência
Fontes: CNN Brasil · UOL