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O Tiktok da Raiva: Como a Geração Batida Aprendeu a Odiar em Modo

A Democracia Agora Cabe numa Tela de 6 Polegadas Tem coisa mais brasileira que usar a tecnologia dos outros pra destruir a gente mesmo?

SURURU_

A Democracia Agora Cabe numa Tela de 6 Polegadas

Tem coisa mais brasileira que usar a tecnologia dos outros pra destruir a gente mesmo? É como pegar uma bomba atômica emprestada do vizinho e explodir a própria garagem só pra fazer barulho. Pois é. A gente descobriu que consegue concentrar toda a nossa raiva política, frustração existencial e falta de caráter numa plataforma feita originalmente pra dançar e fazer lip-sync de música ruim. Estamos vivendo a era em que uma vovó de 67 anos tem mais poder de irradiação política que um deputado de terceira categoria — tudo porque aprendeu a fazer vídeos chorando, com música de fundo triste, denunciando que o vizinho "ROUBOU MID PALAVRA" da reforma de sua casa.

O TikTok virou a câmara de deputados tupiniquim. Sem as mesas de madeira, mas com muito mais ódio por minuto. A gente não discute mais sobre política: a gente *produz conteúdo sobre política*. Tem diferença. Um é pensamento; o outro é teatro com algoritmo.

Quando a Verdade Virou Mercadoria Viralizável

O que mata mesmo é que ninguém quer mais saber se é verdade. Verdade não dá engajamento. Verdade não faz ninguém gritar "LIXO!" nos comentários. Verdade é chata. A gente quer mentira com trilha sonora, mentira em resolução 4K, mentira que faz você chorar enquanto escova os dentes.

"Um vídeo de 15 segundos com uma mulher rasgando foto do presidente tem mais impacto político do que seis meses de jornalismo investigativo. Bem-vindo ao Brasil 2026, onde a democracia é uma questão de view count."

E a pior parte? Funciona. Sério mesmo. A gente elegeu gente baseado em vídeo. Mandou gente embora baseado em vídeo. Começou guerra civil familiar no Zap porque um tio com 60 anos acreditou numa teoria da conspiração que um adolescente inventou pra ganhar seguidores. Isso é poder político destilado em pixels e dopamina.

O Brasil Finalmente Achou um Jeito de Ser Mais Brasil

Sabe aquele meme do "Brasil virou meme"? Pois é. A gente achou a máquina perfeita pra converter desespero em conteúdo. Tá quebrado? Vira vídeo reclamando. Tá feliz? Vira vídeo falando que tá feliz enquanto outros sofrem (que é, tecnicamente, mais autêntico). Política? Vira aquilo que o algoritmo decide que é política — que geralmente é alguém berrando para câmera enquanto come alguma coisa.

O Brasil sempre foi criativo na desgraça. A diferença agora é que a desgraça é *monetizável*. Você sofre, filma o sofrimento, ganha dinheiro com o sofrimento, e depois filma a alegria de ganhar dinheiro com o sofrimento. É tipo um mobius strip da infelicidade, onde todos lucram exceto, você sabe, a realidade objetiva.

Moral da História (Se Houvesse Uma)

A gente criou uma máquina de aumentar raiva e chamar de democracia. Transformamos política em entretenimento e chamamos de engajamento cívico. Descobrimos que conseguimos influenciar milhões de pessoas com 15 segundos de áudio roubado, emoção falsa e um filtro bonito.

O TikTok não inventou a nossa mediocracia política. Só colocou ela em modo vertical, adicionou uma trilha sonora desesperada, e descobriu que a gente ADORA. Compartilha, comenta, briga nos comentários, tira print pra enviar no Zap.

Bem-vindo ao Brasil pós-verdade, onde o único algoritmo que importa é o que decide o que você vai odiar amanhã. Spoiler: vai ser alguém diferente de você.

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