Metade do eleitorado desaprova governo Lula
Cresce a desaprovação ao governo Lula. Entenda o impacto deste cenário na política e nos próximos resultados eleitorais.
Análise · Beatriz Fonseca
Metade do eleitorado brasileiro desaprova o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A outra metade, quase. A fotografia tirada pelo instituto Datafolha em 11 de setembro de 2026, a menos de um mês do primeiro turno, mostra um país dividido por uma linha que não se move. Na pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (BR-01833/2026), 50% dos entrevistados dizem desaprovar a gestão, enquanto 47% a aprovam. A variação em relação à semana anterior, quando os números eram 51% e 45%, respectivamente, ocorre dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A estabilidade é a notícia.
Os dados sugerem que a campanha pela reeleição do presidente Lula não enfrenta um adversário principal, mas uma barreira numérica. Desde o início do mandato, a aprovação do governo não conseguiu se consolidar acima do patamar dos 50%. A divisão permanece, mesmo quando se detalha a avaliação da gestão: 42% a consideram “ruim ou péssima”, e 32%, “ótima ou boa”. Entre esses dois polos, um quarto do eleitorado (25%) classifica o governo como “regular”. É a esse grupo que as campanhas costumam se dirigir. O fato de ele se manter estático pode indicar esgotamento das narrativas ou um entrincheiramento das posições.
Em minha avaliação, a persistência desse quadro revela os limites da comunicação de um governo que precisa, ao mesmo tempo, defender seu legado e se apresentar como projeto de futuro. A melhora de dois pontos na aprovação, embora estatisticamente tímida, será lida no comitê de campanha como um sinal positivo. No campo adversário, liderado pelo candidato Flávio Bolsonaro, a manutenção da desaprovação em 50% é o ativo a ser explorado. O empate técnico na simulação de segundo turno (46% para Lula, 44% para Bolsonaro) reforça a percepção de uma disputa decidida por movimentos marginais.
Resta saber se essa rigidez dos números reflete uma convicção profunda do eleitor ou o teto de alcance das estratégias políticas postas em prática até agora. Uma leitura contrária à do esgotamento poderia argumentar que a estabilidade mascara realinhamentos internos, com eleitores trocando de posição em fluxos que se anulam na soma final. A campanha ainda tem semanas pela frente. Os debates e os fatos imprevistos podem ter um papel que a estrutura das pesquisas ainda não captura.
Para uma eleição presidencial, a estabilidade em um patamar de desaprovação majoritária é um dado inquietante para quem está no poder. O governo parece ter encontrado seu piso e seu teto. Qual dos dois se mostrará mais resistente?
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Datafolha: 50% desaprovam governo Lula, 47% aprovam em 11 de setembro
Fontes: g1 · CNN Brasil