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Senegal cai no segundo tempo e encerra sonho na Copa

Seleção africana resistiu 45 minutos no primeiro tempo, mas desabou na etapa final da partida.

Senegal cai no segundo tempo e encerra sonho na Copa

Análise · Marcos Tibúrcio

O Senegal resistiu quarenta e cinco minutos. Exatamente quarenta e cinco. Não é pouco — é o tempo que um time bem postado, disciplinado, com a crença de que talvez dê, consegue segurar o fluxo antes que ele vire maré. No intervalo, o placar em branco ainda deixava aberta aquela janela estreita em que todo azarão coloca a sua fé. No segundo tempo, a França fechou a janela, trancou a porta e jogou a chave fora.

Mbappé e Olise. Dois nomes que, juntos, representam um problema que a seleção francesa não tinha desde os anos de Zidane: o de não haver solução defensiva evidente. Mbappé já carrega o peso da herança — a pressão de ser o maior do mundo, o capitão, o símbolo de uma geração. Olise é outra coisa. Olise é a resposta à pergunta que ninguém sabia que estava fazendo. Rápido, imprevisível, com a bola no pé como se o gramado fosse extensão natural do seu corpo, ele chegou a essa Copa como coadjuvante no cartaz e saiu da estreia como problema autônomo. O adversário que se preparar só para Mbappé vai encontrar Olise. O que se preparar para os dois vai descobrir que há outros.

A França que entrou em campo nesta estreia não é o tipo de seleção que vence por sufoco administrativo. Não é o time que controla o jogo, apaga o adversário e ganha de um a zero com um gol de escanteio. É um time que tem velocidade nas costas dos zagueiros, qualidade na criação e, mais do que isso, tem densidade. Profundidade de elenco real. Quando um não funciona, o outro aparece — e foi exatamente isso que o segundo tempo mostrou: a França não depende de um único turno da chave.

O Senegal não foi atropelado no primeiro tempo porque a França não quis. Ou porque demorou a entender onde estavam os espaços. A segunda hipótese é mais honesta — e também mais ameaçadora para os que vêm depois.

O que impressiona não é o resultado. Estreia de Copa tem viés, tem nervosismo, tem o peso do início. O que impressiona é a qualidade do segundo tempo como declaração de intenções. A França não está ainda afinada. Não está no seu melhor. E mesmo assim foi assustadora o suficiente para que a pergunta — como parar esse ataque? — não tenha resposta simples. As seleções que aguardam no caminho dos franceses terão de construir uma resposta coletiva, organizada, quase filosófica sobre o que é defender.

A Copa do Mundo de 2026 tem muitos candidatos, muitos discursos, muitos técnicos com sistemas elaborados. Mas a França saiu da sua estreia com algo mais valioso do que qualquer tática: saiu com a certeza de que quando decide jogar, ninguém ainda descobriu como impedi-la. Quarenta e cinco minutos o Senegal acreditou. Os outros quarenta e cinco foram a conta chegando.

Marcos Tibúrcio

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

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Fonte: ge