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O que dois veteranos ensinam ao futebol brasileiro

Análise · Marcos Tibúrcio Havia algo de fotografia antiga no gramado daquele amistoso de domingo.

O que dois veteranos ensinam ao futebol brasileiro
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Havia algo de fotografia antiga no gramado daquele amistoso de domingo. Thiago Silva e Hulk, dois nomes que a seleção brasileira apresentou ao mundo — nas Olimpíadas de 2012, na Copa das Confederações de 2013, no Mundial de 2014 —, voltaram a dividir o mesmo campo com a mesma camisa. Não era a amarela. Era a tricolor do Fluminense, o time de coração de um e a nova casa do outro. O placar, 2 a 0 sobre o Bahia, importa menos do que o que a cena representa.

O futebol brasileiro tem uma relação mal resolvida com seus veteranos. Trata o experiente como suspeito antes mesmo de ele pisar no campo — como se a idade fosse uma confissão de culpa. O que Hulk e Thiago Silva fazem, cada um à sua maneira, é contestar esse veredicto antecipado com a única linguagem que o futebol entende: desempenho. Hulk converteu o pênalti. Thiago Silva entrou na segunda etapa e ocupou o campo como quem nunca saiu. Não há retórica que substitua isso.

O que os dois disseram após o jogo merece ser lido com atenção, porque não é elogio mútuo de vestiário — é diagnóstico. Thiago Silva falou em profissionalismo. Hulk falou em abrir mão. São palavras que o futebol usa com frequência e pratica com raridade. No caso desses dois, a trajetória longa e sem interrupções de alto nível autoriza o uso. Não é discurso. É currículo.

"A gente não sabe quando vai acabar. A idade vai chegando e a gente tem que abrir mão de muitas coisas para dar o nosso melhor nos jogos." — Hulk

Há uma ironia silenciosa no fato de o Fluminense, clube que atravessou anos de angústia financeira e esportiva, ser o ponto de chegada dessa dupla. O clube apostou em nomes que o mercado, em sua lógica de prateleira, já trataria como fora do prazo. A aposta, por enquanto, tem cheiro de acerto. Não porque veterano seja sinônimo de qualidade — não é —, mas porque esses dois, especificamente, construíram carreiras sobre disciplina, não sobre talento bruto. Talento bruto envelhece mal. Disciplina, não.

O reencontro entre os dois serve também como espelho para uma geração mais jovem que convive com eles no Fluminense. Ver de perto como um jogador de quarenta e tantos anos se prepara, se cuida e ainda decide jogos não é lição de vestiário. É exemplo de ofício. O tipo de coisa que não se ensina em preleção.

O próximo passo é a retomada do Brasileirão. Hulk pode entrar em campo contra o Bragantino, na sexta. Thiago Silva depende da abertura da janela de transferências, no dia 20, e só estará disponível na semana seguinte, diante do Grêmio. A espera, no caso dele, tem precedente histórico: quem já esperou uma Copa do Mundo sabe o que é segurar o tempo.

--- *Marcos Tibúrcio — Esporte*

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Thiago Silva e Hulk reecontram em campo pelo Fluminense

Fonte: ge

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