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Governo recebe alerta sobre alta na inflação

Uma nota técnica do Banco Central alertou o governo sobre o risco iminente de alta na inflação, intensificando a pressão econômica.

Governo recebe alerta sobre alta na inflação
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Análise · Luciano Aragão

O aviso chegou por meio de uma nota técnica. Fria, precisa, quase cirúrgica. O Instituto Nacional de Meteorologia, um órgão do governo federal, emitiu um alerta vermelho para o Sul do país. A linguagem é a que se espera de burocratas: “fortes correntes de ar descendentes”, “intensificação de instabilidades”. Por trás do jargão, há a previsão de um ciclone extratropical, com risco de granizo e tornados em três estados. O sistema deve atingir sua intensidade máxima no sábado, quando já estiver se movendo para o oceano.

A máquina pública funciona, em seus extratos mais baixos. O técnico do Inmet cumpre seu protocolo. O sistema de avisos dispara. A informação é distribuída. O governo, em sua face técnica, fez a sua parte. Avisou. A partir daí, o que se instala é o silêncio que costuma anteceder tanto a tempestade meteorológica quanto a política.

O comunicado menciona capitais e temperaturas. Curitiba terá mínima de 13 °C. Belo Horizonte, máxima de 34 °C. Números que preenchem tabelas e telejornais, mas que não medem a capacidade de resposta do poder público a um evento classificado como de “grande perigo”. O mapa da instabilidade avança sobre o Sudeste, chegando a São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro com avisos de perigo potencial. Um rastro de chuva e trovoadas que testará a infraestrutura e a coordenação de diferentes níveis de governo.

A ciência da meteorologia tem seus limites, e a nota do instituto deixa isso claro ao falar em “possibilidade”. O que se sabe é que o risco existe; o que ainda não se sabe é a extensão do dano. A política, no entanto, opera com outra lógica. Nela, a prevenção raramente gera dividendos eleitorais. A ação costuma vir depois, na forma de visita a escombros, liberação de verbas emergenciais e discursos de solidariedade.

Por enquanto, há apenas o alerta. Uma peça de burocracia bem executada, informando que o céu pode cair sobre o noroeste do Rio Grande do Sul, o oeste de Santa Catarina e o Paraná. Enquanto o ciclone ganha força em direção ao mar, quem fica em terra espera para ver qual dos dois sistemas, o meteorológico ou o político, causará mais estragos.

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Inmet alerta para ciclone extratropical no Sul nesta sexta (11)

Fonte: Agência Brasil