O clássico que é destino e acaso
Análise · Marcos Tibúrcio Há confrontos que nascem do acaso de um sorteio e outros que parecem escritos no destino.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há confrontos que nascem do acaso de um sorteio e outros que parecem escritos no destino. Ferroviária e Corinthians, pelas oitavas da Copa do Brasil, é as duas coisas ao mesmo tempo. O sorteio, esse deus cego e burocrático, determinou o mando de campo e o momento. Mas o destino, ah, o destino, já vinha tecendo essa rivalidade há muito. São 43 capítulos de uma história que a matemática insiste em chamar de desigual — 31 vitórias alvinegras, dez empates, uma solitária alegria grená.
Futebol, porém, não se joga com a calculadora, se joga com a memória. E a memória mais fresca é a de sexta-feira passada, no Parque São Jorge. Um a zero para as Brabas, gol de Jhonson, atacante. Um ensaio geral, com a mesma tensão e os mesmos personagens, dias antes da peça principal. Para o Corinthians, a confirmação de uma paternidade teimosa. Para a Ferroviária, o gosto amargo de uma lição que precisa ser aprendida em tempo recorde.
O palco da vez é a Arena Fonte Luminosa, em Araraquara. Um jogo único. Noventa minutos, talvez um pouco mais, e depois o silêncio para um lado e a festa para o outro. Se a bola teimar em não entrar, a decisão vai para a marca do pênalti, esse paredão onde a técnica ajoelha e reza para a sorte.
Um caminho de espinhos, outro de flores
As duas equipes chegam ao mata-mata por estradas distintas. As Guerreiras Grenás, em sua estreia, não tomaram conhecimento do UDA de Alagoas: 8 a 0. Uma goleada que enche o peito de confiança, mas que pode enganar a alma. É um futebol jogado em outra velocidade, com outra gravidade. O Corinthians, por sua vez, foi temperado no fogo. Enfrentou o Palmeiras, um dérbi que nunca é apenas um jogo. E venceu fora de casa, com um gol no fim, desses que nascem da persistência, dos pés de Gabi Zanotti.
O Corinthians chega com o peso da camisa e o conforto do retrospecto. A Ferroviária, com a faca nos dentes e a obrigação de provar que, em casa, a história pode, por uma noite, desobedecer aos números. No futebol, o favoritismo é apenas o rascunho de um jogo. O texto final, imprevisível e definitivo, só se escreve quando a bola rola.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge