O céu que não para de cair sobre o Rio Grande do Sul
Análise · Luciano Aragão O número oficial chegou neste sábado (25). São 206 os municípios gaúchos afetados pelas chuvas.
Análise · Luciano Aragão
O número oficial chegou neste sábado (25). São 206 os municípios gaúchos afetados pelas chuvas. A contagem da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, um órgão cujo trabalho é a exatidão, serve como atestado de uma realidade que já não cabe em adjetivos. O dado mais revelador, contudo, não é o que passou, mas o que os mapas meteorológicos prometem.
O boletim da mesma Defesa Civil informa que o tempo, longe de melhorar, se prepara para uma nova ofensiva. Tempestades severas, com granizo e ventos acima de 90 km/h, estão previstas para o início da semana. Em 48 horas, a chuva acumulada pode superar os 200 milímetros. É o dobro, em dois dias, do que se espera para um mês inteiro em muitas capitais do país.
Para o poder público, esses números são mais que um problema climático. Transformam-se num problema de gestão crônica. Os 682 desalojados atuais, espalhados por 47 cidades, são a face visível de um desastre que ainda se desenrola. Por trás deles, há uma estrutura que se degrada a cada novo temporal: pontes submersas que isolam comunidades, barreiras que cedem sobre estradas vicinais e telhados arrancados em série.
A crise no Rio Grande do Sul expõe uma dinâmica conhecida em Brasília, mas sentida na ponta. A natureza não negocia prazos nem respeita o calendário fiscal. Enquanto se discutem em comissões os orçamentos para prevenção e resposta a desastres, a chuva cai. E quando cai com a intensidade prevista, revela a fragilidade de planos que, no papel, parecem robustos, mas que se desfazem sob o peso de 120 milímetros de água em poucas horas.
A previsão do tempo, antes um assunto trivial, virou matéria de segurança nacional para o estado. As regiões oeste, Campanha, centro, sul e a área metropolitana de Porto Alegre aguardam a chegada da frente fria. Não se trata de saber se o próximo balanço da Defesa Civil trará números maiores. A única dúvida, por enquanto, é o tamanho do acréscimo.
Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.
Leia o factual: Chuvas afetam 206 cidades do Rio Grande do Sul
Fonte: Agência Brasil