Brasil saiu perdendo, mas reverteu resultado
Análise da estreia que revelou fragilidades iniciais, mas também capacidade de reação da seleção.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há estreias que explicam tudo de uma vez. O Brasil abriu a Copa do Mundo de 2026 no MetLife Stadium, em East Rutherford, com uma escalação que os próprios veículos que cobrem a Seleção chamaram de inédita — palavra que, no contexto de uma primeira partida de Mundial, carrega peso considerável. Inédita não é sinônimo de ousada. Pode ser sinônimo de improvisada. O jogo tratou de deixar a dúvida no ar.
O Marrocos saiu na frente. Um time africano, organizado, que aprendeu na Copa de 2022 que dá para incomodar qualquer um do mundo se a estrutura defensiva for respeitada e o contra-ataque, executado com convicção. Aquela semifinal no Catar não foi acidente — foi método. E o método voltou, desta vez contra o Brasil, num estádio nos arredores de Nova York, na abertura do Grupo C.
O Brasil correu atrás. Literalmente. E foi Vinícius Júnior quem resolveu, com aquilo que ele tem de melhor: a explosão individual que poucos no futebol mundial conseguem reproduzir. Um golaço, dizem os que viram. O empate veio. O placar fechou em 1 a 1. E então começou a outra partida — a da interpretação.
Empate na estreia não é derrota. Mas também não é o que o Brasil veio buscar aqui. Veio pelo hexa. E o hexa não começa bem quando você precisa de um lampejo de gênio para não perder para o Marrocos.
A escalação inédita é o nó que a comissão técnica vai ter de desatar antes da próxima rodada. Quando um time entra em campo com uma formação que nenhum torcedor ou analista reconhece como habitual, há duas leituras possíveis: ou o técnico descobriu algo que os outros não viram, ou tentou esconder o que não tinha. O resultado não resolve a questão. Um empate com gol nos acréscimos — ou arrancado por talento individual — não confirma esquema tático. Confirma sobrevivência.
O Marrocos, por sua vez, saiu do MetLife com um ponto e com a cabeça erguida. Sair na frente do Brasil numa Copa do Mundo não é detalhe. É dado histórico. É o tipo de coisa que entra no repertório de uma geração inteira de torcedores magrebinos. Independente do que aconteça no restante do torneio, esse placar de 1 a 0, mesmo que por uma hora, existiu.
O Grupo C ainda tem Haiti e Escócia se enfrentando. A tabela está aberta. O Brasil tem tempo para se reorganizar — e vai precisar. Porque se a escalação inédita era experimento, o experimento teve custo. Se era necessidade, o problema é mais fundo. Em ambos os casos, o que o jogo de hoje revelou é que esta Seleção ainda não encontrou a si mesma. E a Copa do Mundo é um lugar muito caro para fazer essa descoberta.
Marcos Tibúrcio, chefia de Esporte da Xaplin
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Brasil empata com Marrocos em 1 a 1 na estreia da Copa 2026
Fontes: BBC News Brasil · CNN Brasil · UOL