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Brasil não convence em estreia na Copa do Mundo

Análise sobre o desempenho brasileiro na abertura do torneio e as expectativas não atendidas.

Brasil não convence em estreia na Copa do Mundo

Análise · Marcos Tibúrcio

Havia milhares de pessoas reunidas em Manaus para ver o Brasil estrear numa Copa do Mundo. Vieram de longe, acordaram cedo, vestiram a camisa amarela com a fé de sempre. O que encontraram em campo foi um selecionado que empata com Marrocos — e olha que isso não é pouca coisa, porque Marrocos é uma seleção de respeito, com história recente de semifinal de Copa. Mas o empate na estreia, contra quem você vai acabar de encontrar no Grupo C, tem um sabor que o placar de 1 a 1 não consegue disfarçar.

O problema não é o resultado em si. O futebol, nessa fase de grupos, às vezes reserva o empate como cálculo frio, como espera armada. O problema é o que o empate representa quando ele não parece calculado — quando parece, ao contrário, o teto do que a seleção conseguiu alcançar naquele sábado. Há uma diferença enorme entre o time que empata porque se conteve e o time que empata porque não soube ir além. O Brasil de ontem, pelo que o placar e as circunstâncias sugerem, pertencia à segunda categoria.

Marrocos não é adversário para ser subestimado, e qualquer análise honesta precisa começar por aí. A seleção do norte da África construiu nos últimos anos uma identidade tática sólida, disciplinada, capaz de fechar espaços e explorar transições com velocidade e critério. No Qatar, chegaram às quatro melhores seleções do mundo. Não foi acidente. É projeto.

O Brasil que não resolve Marrocos numa estreia de Copa carrega uma interrogação que vai além dos pontos perdidos. Carrega a dúvida sobre o que este time, de fato, é.

E o Brasil? O Brasil tem nome, tem talento individual que nenhum torcedor de Manaus precisa que expliquem. Mas talento disperso, sem estrutura coletiva que o organize, é espetáculo que não vira título. Copa do Mundo se ganha com time — com onze jogadores que sabem onde estão, o que fazem e por que fazem. A estreia contra Marrocos levanta a dúvida se este selecionado tem, de fato, essa clareza.

A fase de grupos ainda oferece margem. Dois jogos pela frente, possibilidade de classificação, tempo para ajustes. O técnico vai falar nisso, certamente. Vai falar em processo, em crescimento, na lógica do torneio. Não estará errado nos fatos. Mas em Manaus, entre os milhares que foram lá viver a estreia do Brasil numa Copa do Mundo disputada fora do continente, a lógica do torneio não é o que move ninguém. O que move é a crença de que o Brasil pode ser maior do que o adversário. Ontem, essa crença saiu do estádio sem confirmação.

A Copa começou em 11 de junho. O Brasil começou em 13. E já precisa de resposta para uma pergunta que deveria estar respondida antes do apito inicial: qual é, afinal, o tamanho deste time?

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil empata com Marrocos na estreia da Copa do Mundo 2026

Fontes: g1 · CNN Brasil