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Brasil decepciona e é eliminado na Copa de Dallas

O Brasil chegou à competição como favorito, mas não conseguiu cumprir as expectativas e foi eliminado.

Brasil decepciona e é eliminado na Copa de Dallas

Análise · Marcos Tibúrcio

Havia uma promessa implícita na chegada do Brasil a esta Copa. Não era de modéstia. O país que mais vezes ergueu a taça desembarcou nos Estados Unidos com Vini Jr. no pico, com uma geração que se dizia pronta, com o fardo do hexacampeonato convertido em combustível. Marrocos, na primeira rodada, era para ser o palco da apresentação, não o obstáculo. Ficou no obstáculo.

O 1 a 1 não é catástrofe aritmética. Um ponto em jogo inaugural tem cura. O problema não é o número — é o que ele descreve. O Brasil saiu atrás do placar. Contra o Marrocos. Na estreia de uma Copa do Mundo que o país ainda chama, em voz alta, de "o hexacampeonato". Essa sequência de fatos tem peso moral, não só técnico, e é o peso moral que a torcida carrega de volta ao hotel.

Marrocos não chegou aqui por acaso ou pela graça geográfica da Copa de 48 seleções. A equipe norte-africana foi semifinalista em 2022, em Qatar, e construiu desde então uma identidade defensiva com qualidade de pressão alta que poucos times do mundo executam com tamanha disciplina coletiva. Eles sabem exatamente o que são. E, na tarde de Dallas, souberam exatamente o que o Brasil não era.

O gol de Vini Jr. salva o resultado. Não salva a exibição.

Há uma diferença crucial entre buscar o empate e merecer a vitória. O Brasil buscou. Encontrou. Mas a narrativa de que a seleção "reagiu" embute um elogio que o jogo não sustenta inteiro — porque reagir pressupõe ter sido dominado, e ser dominado por Marrocos numa estreia de Copa é, por si só, o dado que precisa de explicação. O técnico terá a semana para construir a sua. A arquibancada já construiu a dela, nos memes e na ironia que correram as redes com velocidade inversamente proporcional ao ataque brasileiro.

O que preocupa não é a ausência de gols, mas a ausência de certezas. Uma seleção que chega grande a um torneio precisa, ao menos no primeiro jogo, mostrar que sabe o que quer. Pressão organizada, transições com propósito, domínio dos momentos. O Marrocos, equipe de outro hemisfério econômico e estrutural, apresentou mais dessas certezas do que o adversário cinco vezes campeão do mundo.

A Copa de 48 seleções é mais longa, mais generosa com os tropeços de fase de grupos. O Brasil tem jogo pela frente e os pontos para recuperar. Matematicamente, nada está perdido — e isso é verdade. Mas o futebol não é só matemática. É também a memória que a arquibancada guarda do primeiro jogo, a imagem que cristaliza antes mesmo do apito final. E a imagem que Dallas deixou é a de um Brasil que chegou enorme e precisou de Vini Jr. para não sair menor ainda.

A Copa começa agora. Só que começa mais difícil do que deveria.

Marcos Tibúrcio — Esporte

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil empata com Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026

Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil