Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Brasil não perde, mas falha em convencer

Análise de Marcos Tibúrcio sobre um empate que chegou como alívio para a seleção.

Brasil não perde, mas falha em convencer

Análise · Marcos Tibúrcio

Há empates que chegam como alívio. O Brasil saiu de Nova Jersey com um ponto no bolso, e esse ponto pode parecer, na frieza da tabela, um resultado administrável. Mas futebol não é tabela, e o que se viu no MetLife Stadium na estreia da Seleção na Copa do Mundo de 2026 foi difícil de olhar de frente.

O primeiro tempo foi ruim com convicção. O Marrocos não precisou se superar — bastou mostrar organização e esperar que o Brasil encontrasse a si mesmo. Não encontrou. A Seleção jogou como quem ainda está lendo o mapa antes de entrar na cidade: sem ritmo, sem profundidade, sem aquela clareza de propósito que distingue um time com identidade de um grupo de jogadores vestindo a mesma camisa.

O segundo tempo trouxe algum equilíbrio — equilíbrio, palavra perigosa quando se quer mais do que não perder. E foi nesse segundo tempo que o melhor jogador brasileiro em campo tomou o assunto para si, evitando o que seria uma derrota de inauguração traumática. O protagonismo individual salvou o coletivo do constrangimento maior. Mas salvar do constrangimento não é o mesmo que construir algo.

O Marrocos é sério. Ninguém deveria fingir surpresa com isso. A seleção marroquina chegou às semifinais do Catar há quatro anos e voltou para esta Copa como time formado, não como projeto. Tem estrutura, tem método, tem jogadores que sabem exatamente o que estão fazendo em campo. Empatar com eles não é desonra. Mas a maneira como o Brasil chegou a esse empate — arrastado no primeiro tempo, salvo no segundo por qualidade individual — é o que instala a desconfiança.

O primeiro tempo foi ruim com convicção. O Marrocos não precisou se superar — bastou mostrar organização e esperar que o Brasil encontrasse a si mesmo.

Copa do Mundo tem grupo. Tem fase seguinte. Tem tempo para corrigir, ajustar, crescer dentro do torneio. A história do torneio está cheia de seleções que tropeçaram na estreia e chegaram longe. O Brasil sabe disso, a comissão técnica sabe disso, e qualquer análise honesta precisa guardar espaço para essa possibilidade.

Mas análise honesta também não pode olhar para o que aconteceu em Nova Jersey e chamar de processo o que parece ser ausência de jogo. Um time que não convence no primeiro tempo contra um adversário que não o pressionou além do razoável, e que depende de um momento individual para não sair derrotado, não está, por ora, com a cara de quem vai buscar uma sexta estrela. Pode chegar lá. A Copa é longa e o futebol é imprevisível com a crueldade e a generosidade que só ele sabe combinar.

Por enquanto, o Brasil tem um ponto, tem dúvidas e tem dois jogos pela frente para respondê-las. A arquibancada, essa, já fez a sua.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Brasil empata com Marrocos em estreia na Copa do Mundo 2026

Fonte: ge