Vinicius Júnior supera empate do Brasil em estreia
Análise de Marcos Tibúrcio. Há estreias que revelam e há estreias que confirmam suspeitas antigas.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há estreias que revelam. Há estreias que confirmam suspeitas antigas. A do Brasil em Nova Jersey, diante do Marrocos, foi as duas coisas ao mesmo tempo — e é por isso que ela merece mais do que a leitura rápida do 1 a 1 no placar.
Começar perdendo numa Copa do Mundo não é detalhe. É drama — no sentido estrito do termo, aquele que Nelson Rodrigues reconheceria de imediato. O Brasil saiu atrás, com um time titular inédito, em campo estrangeiro no sentido mais profundo: Nova Jersey não é Rio, não é São Paulo, não tem a pressão familiar das Américas do Sul. É exílio geográfico com holofote máximo.
E foi nesse exílio que Vinicius Júnior resolveu apresentar suas credenciais.
O gol que ele marcou não foi o gol de quem cumpre obrigação. Foi o gol de quem carrega algo a provar — a si mesmo, ao torneio, ao cargo que ocupa na hierarquia do futebol mundial. Candidato a protagonista desta Copa, como se dizia antes do apito inicial, Vini respondeu com a linguagem que entende: bola na rede, corpo em movimento, geometria impossível. O camisa 7 fez o que se esperava dele no momento em que mais se precisava.
O problema é o que veio antes e o que ficou depois.
Um Brasil que sai perdendo para Marrocos na estreia não é catástrofe — é sinal. O sinal de que este time titular inédito ainda não é um time, no sentido coletivo da palavra.
Inédito, aqui, não é elogio disfarçado. É diagnóstico. Combinações novas precisam de tempo para virar automatismo, e Copa do Mundo não dá tempo — ela toma. O Marrocos, que chegou às semifinais do Catar com a organização como arma, não veio para ser figurante. Veio para dificultar. E dificultou o suficiente para segurar o empate.
O que o resultado implica é simples de enunciar e difícil de administrar: o Brasil precisa de mais do que Vinicius Júnior. Precisa que o coletivo ao redor dele encontre coerência antes que o grupo C se feche. Haiti e Escócia estrearam na mesma rodada — o saldo de gols pode importar, a segunda rodada vai importar mais ainda.
Mas existe também o outro lado da leitura, e seria desonesto ignorá-lo. Um time que sai atrás, num grupo de Copa, com formação nunca antes utilizada, e ainda assim empata — com um gol de categoria — não é um time quebrado. É um time que ainda não se achou, mas que tem dentro dele o jogador capaz de mudar qualquer história em trinta segundos.
O Brasil empatou em Nova Jersey. Vinicius Júnior foi maior do que o resultado. Resta saber se, quando o torneio apertar de verdade, o restante do time vai crescer até a altura dele — ou se ele vai continuar carregando o peso sozinho, como aquele tipo de craque que a arquibancada ama e o técnico, em silêncio, teme perder para o esforço.
Marcos Tibúrcio, chefia de Esporte — Xaplin
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Brasil empata 1 a 1 com Marrocos na estreia da Copa
Fontes: BBC News Brasil · CNN Brasil