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Aplicativo cobra paulistanos por respirar em zonas de poluição

Startup catarinense e consultoria americana criam o Respira+, que debita R$ 0,03 por ciclo respiratório em áreas poluídas da capital paulista.

SURURU_

A Genialidade Brasileira Finalmente Decola (Para o Lado Errado)

Senhoras e senhores, preparem-se para conhecer o Respira+, o aplicativo que varre a internet corporativa desde ontem e já fez três CEOs terem infarto de alegria em Higienópolis. A ideia? Simples. Genial. Absolutamente demente. Uma startup catarinense em parceria com uma consultoria americana (sempre uma consultoria americana, pqp) descobriu que o ar de São Paulo é um ativo não-monetizado. Deixa eu repetir: alguém olhou para a poluição paulistana e pensou "dinheiro".

O aplicativo funciona assim: você baixa, conecta seu AirPod, seu smartwatch ou até aquele relógio de pulso que você roubou da avó, e toda vez que você respira em determinadas zonas vermelhas da capital (basicamente tudo que não é Alphaville), você gera microcréditos. Claro que créditos em débito. Você deve ao ar. É um abono, mas de trás pra frente.

O Pequeno Detalhe que Ninguém Leu nos Termos de Serviço

"Se você respira em zona vermelha de qualidade do ar abaixo de 75 pontos AQI, você está acessando um recurso natural compartilhado. Portanto, o acesso deve ser compensado. A Respira+ cobra R$ 0,03 por ciclo respiratório (inspiração + expiração). Você escolhe: paga agora ou fica devendo pro Banco Central."

A genialidade sinistra é que o aplicativo não avisa quando você entra em zona vermelha. Você só descobre quando vê a fatura do débito automático chegar. Ontem um motorista de Uber rodou 8 horas de turno em SP e acabou devendo R$ 1.440 em ar respirado. Ele tentou processar a empresa. O juiz riu e mandou ele ler os termos de serviço. O juiz também usa Respira+.

Mas Espera, Tem Mais Absurdo Ainda

Claro que tem. Porque no Brasil a gente não faz as coisas pela metade. A Respira+ oferece pacotes. Há um plano "VIP Lifestyle" onde você paga R$ 299 por mês e respira ilimitado em qualquer zona. Faz sentido? Não. Faz dinheiro? Muito. Há também a opção "Respirar Menos" — um app complementar que te instrui a fazer respiração superficial para economizar na conta.

Já imaginou? Cenas de cariocas e paulistas respirando como asmáticos crônicos voluntários só pra não quebrar a banca. A Associação Brasileira de Pneumologistas mandou nota de repúdio que ninguém leu. O coordenador deles tá investigando por enquanto se ele também vai ter que pagar retroativo.

O Apocalipse Burocrático que Ninguém Pediu

A melhor parte? O governo estadual já mandou a CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais) verificar se não deveria taxar o ar também. Porque se é ativo, é tributável. Brasília segue em silêncio ensurdecedor. O ministro da Economia sumiu do país após ver o relatório de impacto macroeconômico.

Tá tudo muito errado. Muito brasileiro. Muito "deixa eu ver até onde isso vai". E sabe o pior? Já tem gente reclamando que a Respira+ é sexista porque mulheres grávidas respiram mais e vão pagar mais caro. Juridicamente falando, eles têm razão. Economicamente falando, isso é uma oportunidade de negócio.

Baixe Agora (Antes que o Ar Fique Ainda Mais Caro)

Respira+ já conquistou 2 milhões de usuários. Em quatro dias. Se continuar assim, em uma semana vão cobrar de quem tira selfie na praia porque você tá ocupando espaço aéreo em alta demanda.

Bem-vindo ao Brasil 2026. Onde até a morte respira pelas narinas de um algoritmo.

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