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Nômade Festival chega à sétima edição com João Gomes e Péricles

O festival de música brasileira contemporânea acontece no Parque Villa Lobos, em São Paulo, e terá shows de João Gomes e Péricles.

Bica. — Cultura & Arte

O Fato

O Nômade Festival retorna a São Paulo nos dias 2 e 3 de maio de 2026, marcando sua sétima edição com uma programação robusta dedicada à música brasileira contemporânea. Segundo informações da Folha (publicadas em 5 de janeiro de 2026), o evento acontecerá no Parque Villa Lobos, na zona oeste da capital paulista, e contará com apresentações de artistas consolidados como João Gomes e Péricles, além de outras atrações que reforçam o compromisso do festival com a diversidade da cena musical nacional.

O Parque Villa Lobos, localizado na Avenida Costantino Fernandes, 277, no bairro da Lapa, é uma escolha estratégica para o evento. O espaço, com seus 735 mil metros quadrados de área verde, oferece infraestrutura adequada para receber milhares de visitantes. O acesso pode ser feito por diferentes rotas: via metrô, pela Linha 6 (Laranja), desembarcando na estação Villa Lobos-Jaguaré, seguido de caminhada de aproximadamente 15 minutos; ou via automóvel, aproveitando as avenidas de grande circulação como a Marginal Pinheiros e a Avenida Costantino Fernandes, embora estacionamento no local seja limitado durante eventos de grande porte.

João Gomes, um dos maiores fenômenos da música sertaneja contemporânea, vem consolidando sua presença em festivais de relevo. Sua participação no Nômade reafirma o posicionamento do festival como vitrine para artistas que dominam o streaming nacional e internacional. Péricles, por sua vez, representa a força do samba e do pagode, gêneros historicamente enraizados na identidade musical brasileira. A escolha destes artistas indica que o Nômade Festival não apenas acompanha tendências, mas também dialoga com a tradição musical do país.

Este é um momento significativo para o calendário cultural de São Paulo. Em um contexto onde festivais de música enfrentam desafios de viabilidade econômica e interesse do público, a Nômade chega à sua sétima edição demonstrando resiliência e capacidade de renovação. O evento segue a tradição de colocar foco em artistas brasileiros, em contraste com a tendência de internacionalização que domina outros festivais da cidade, posicionando-se como plataforma genuína da música brasileira.

A Análise de André Cavalcanti

Há algo de verdadeiramente importante acontecendo quando um festival chega à sua sétima edição em São Paulo sem precisar de nomes internacionais para justificar sua existência. O Nômade Festival não é apenas um evento de música; é uma declaração política sobre quem e o que merece espaço no debate cultural urbano brasileiro.

Vivemos em um tempo em que a indústria criativa brasileira compete ferozmente por atenção em um mercado saturado. A proliferação de eventos, a fragmentação do público através das plataformas digitais e a pressão por espetacularidade constante criam um cenário onde muitos festivais nascem e morrem rapidamente. Que o Nômade persista, e que faça isso elevando artistas como João Gomes e Péricles, fala volumes sobre a maturidade do nosso mercado de consumo cultural.

João Gomes representa a nova onda do sertanejo que incorporou influências urbanas, que fala com a juventude através do TikTok e do Instagram, mas que mantém as raízes melódicas do gênero. Péricles, por outro lado, é a memória viva do samba contemporâneo, aquele que resiste à fetichização da tradição sem abrir mão de sua essência. Juntos, formam uma narrativa coerente: a música brasileira não é monolítica, não é apenas o que exportamos, mas sim a conversa complexa e vibrante que temos conosco mesmos.

"Um festival que sobrevive sete edições escolhendo artistas brasileiros em vez de se render ao imperativo do espetáculo internacional está, de fato, apostando na inteligência do seu público."

Há também uma questão prática e urgente: o acesso. O Parque Villa Lobos é um espaço público, democraticamente acessível, embora as limitações de transporte público até lá permaneçam uma realidade para muitos paulistanos. É sintomático que em 2026, ainda precisemos conversar sobre como chegar a um evento cultural na maior metrópole do Brasil. O festival está fazendo sua parte; a cidade, por sua vez, deveria investir em infraestrutura de mobilidade que facilitasse o acesso à cultura.

Que o Nômade Festival prospere é importante não apenas para os artistas que nele se apresentam, mas como sinal de que a música brasileira continua sendo capaz de preencher espaços, de congregar pessoas, de criar comunidade. Em tempos de isolamento crescente e algoritmos que nos fragmentam, isso é, literalmente, música para os ouvidos.

O Nômade Festival nos convida a uma pergunta incômoda: se temos artistas tão bons, por que ainda nos sentimos obrigados a justificar sua importância?

André Cavalcanti — Cultura & Arte. Bica..