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Governo Espriella encerra noticiário em 20 Emissoras da Paz

Programação jornalística será substituída por conteúdo musical centralizado em Bogotá, afetando acesso à informação local.

Ilustração editorial: Governo Espriella encerra noticiário em 20 Emissoras da Paz
Ilustração editorial gerada por IA · Ateliê Visual Xaplin

Factual · Plantão Xaplin · fonte oficial

O governo da Colômbia, sob a gestão do presidente Abelardo de la Espriella, encerrou a programação jornalística das 20 Emissoras da Paz, veículos de mídia pública previstos no Acordo de Paz de 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs). Os noticiários serão substituídos por uma grade exclusivamente musical, transmitida de forma centralizada a partir de Bogotá, conforme informou a Agência Brasil.

A medida, de acordo com o Ministério da Tecnologia, Inovação e Comunicações da Colômbia, busca a “transformação integral do Sistema de Mídias Públicas” para “recuperar” o caráter “público, plural e independente” da rede. O ministério, responsável pela empresa Inravisión, que administra o sistema público, comunicou em nota que “A entidade será um Sistema de Mídia Pública, não um instrumento político”, acusando o noticiário anterior de funcionar como "aparato de propaganda" a serviço de interesses particulares.

Organizações ligadas à liberdade de expressão e de imprensa, como a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), a Missão de Observação Eleitoral (MOE) e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc), rechaçaram a decisão em um comunicado conjunto. Elas alegam que a mudança restringe o acesso de comunidades inteiras à informação local, destacando que as rádios comunitárias são, muitas vezes, a única fonte de notícias para mais de 463 mil pessoas em áreas rurais, indígenas, afrodescendentes e camponesas do país.

O Ponto 6.5 do Acordo de Paz da Colômbia prevê que essas emissoras divulguem o progresso da implementação dos termos do pacto, promovam a educação para a convivência e ofereçam espaços de informação às comunidades afetadas por mais de 50 anos de conflitos armados internos. O governo colombiano afirmou ainda que o jornalismo consumia “aproximadamente 90% dos recursos e do pessoal disponível” nas emissoras.

Fonte: Agência Brasil