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Fachin assume presidência do Supremo com anulação de decisões

Edson Fachin assume presidência do Supremo com anulação de decisões de colegas, provocando debates na corte.

Fachin assume presidência do Supremo com anulação de decisões
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Luciano Aragão

Bastou uma caneta. Com ela, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, anulou duas decisões de colegas e assumiu a relatoria do inquérito mais longevo da corte. Não foi um ato de força, mas de contenção. Um bombeiro chegando à casa que os próprios moradores resolveram incendiar.

A crise, que agora envolve quatro dos onze ministros, escalou em menos de uma semana. O ministro André Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O ministro Flávio Dino, em movimento simétrico, reintegrou o mesmo diretor horas depois. Fachin, na quarta-feira, suspendeu os dois. Na prática, Rodrigues e seu diretor de Inteligência, Leandro Almada, continuam nos postos, mas por obra e graça da presidência da corte, não pela guerra de liminares.

O episódio é mais que uma disputa de vaidades. É a falência de um método. O Supremo permitiu por anos que inquéritos de relatoria individual, como o das Fake News, se tornassem instrumentos de poder quase ilimitado para seus condutores. O ministro Alexandre de Moraes, agora afastado da relatoria por Fachin, usou o inquérito para incluir Mendonça como investigado. Mendonça, por sua vez, usou um processo sob sua alçada para atingir a cúpula da PF, órgão que produziu os relatórios usados por Moraes. A corte virou um jogo de espelhos onde cada ministro reflete a arma do outro.

A decisão de Fachin de avocar a relatoria do inquérito de 2019 é a ação mais drástica. Ele não encerra o mecanismo, mas o transfere. Tira o poder das mãos do ministro que o transformou em sua principal ferramenta política. A manutenção de Moraes nos casos com denúncia já recebida é um aceno de que a transição não será uma anistia, mas o recado foi dado: o superpoder de um relator tem um freio, e ele se chama presidência do tribunal.

Ao anular as decisões sobre a Polícia Federal, Fachin escreveu sobre o "grave quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente". É uma descrição fria para o caos. Uma corte que delibera por decisões monocráticas sucessivas e conflitantes deixa de ser uma corte. Vira uma arena. É possível, claro, que esta intervenção seja apenas uma pausa para que os lados rearmem suas posições. O poder no Supremo raramente recua de vez.

Por enquanto, Fachin tenta restaurar um mínimo de liturgia. Mas o plenário do dia 15, que decidirá sobre a investigação de Moraes, já está marcado. Até lá, como ficam as conversas nos corredores de um tribunal onde um ministro pode investigar o outro?

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Fachin suspende afastamento de diretores da PF e anula decisão de Dino

Fontes: Agência Brasil · CNN Brasil