Pesquisa Datafolha apresenta dois pontos de margem de erro
Datafolha entrevistou 2.002 eleitores em 125 municípios. Entenda o impacto da margem de erro nos resultados da pesquisa.
Análise · Beatriz Fonseca
Entre os dias 8 e 10 de setembro, quando o Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios, a principal fotografia da eleição presidencial de 2026 se manteve estável. A distância entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno permanece em dois pontos percentuais: 46% para o atual presidente, 44% para o senador. Exatamente o mesmo placar da pesquisa anterior, de 3 de setembro.
O resultado, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01833/2026, indica um empate técnico, considerada a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. No primeiro turno, a diferença entre os dois é de quatro pontos: 39% a 35%. A oscilação desde o levantamento anterior foi mínima, com Lula subindo um ponto e Bolsonaro, dois.
Esta aparente imobilidade dos eleitores, na minha leitura, é o dado mais relevante. O trabalho de campo do instituto ocorreu sob o impacto direto da crise institucional no Supremo Tribunal Federal, que opôs os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. De acordo com a Folha de S.Paulo, a campanha do senador Flávio Bolsonaro, desde o 7 de Setembro, tem investido na associação da imagem de Lula à do ministro Moraes. A pesquisa sugere que, até aqui, a estratégia não produziu o efeito buscado de mover os ponteiros de forma decisiva.
O quadro, no entanto, é efêmero. A coleta de dados foi encerrada antes da notícia, divulgada na sexta-feira (11), de que o próprio senador é investigado no inquérito do caso "Dark Horse", com a determinação do fim do sigilo sobre a apuração. O impacto político desta nova variável ainda não pode ser medido.
Enquanto os dois principais candidatos consolidam seus patamares, os demais nomes testados não apresentam tração. O escritor Augusto Cury (Avante), que havia chegado a 8% na pesquisa anterior, recuou para 6%. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), dois governadores, marcam 4% e 2%, respectivamente. Em um confronto direto com Lula, ambos perdem por margens maiores que a de Flávio Bolsonaro. Caiado por 46% a 41%; Zema por 48% a 39%.
A fotografia da eleição, portanto, é a de uma estrutura rígida. Um país dividido em dois campos que parecem pouco permeáveis aos acontecimentos da semana, por mais graves que sejam. Resta saber se o chão sob essa estrutura é tão sólido quanto os números fazem parecer.
Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.
Leia o factual: Datafolha: Lula tem 39% e Flávio Bolsonaro, 35% no 1º turno
Fontes: g1 · Folha de S.Paulo