Anitta se apresenta antes de jogo do Brasil em Los Angeles
A cantora brasileira se apresentou antes da partida em Los Angeles, em momento que parou a atenção do público.
Análise · Marcos Tibúrcio
Havia um momento, antes do apito inicial, em que o mundo parou de olhar para a grama. Foi quando Anitta entrou no Estádio de Los Angeles e o Brasil — aquele Brasil disperso pelos quatro cantos do mundo, o da diáspora, o da saudade, o que acorda cedo em outro fuso para acompanhar o jogo — reconheceu algo seu no centro do palco mais assistido do planeta.
Não é pouca coisa. A cerimônia de abertura de uma Copa do Mundo é, antes de tudo, um ato de afirmação. Cada país que sobe àquele palco está dizendo ao mundo quem é — ou quem escolheu ser. O Brasil mandou Anitta.
A escolha tem um peso que vai além do entretenimento. O futebol brasileiro chega a esta Copa carregando o peso de um ciclo que ainda não se fechou, de gerações que prometeram e de uma seleção que ainda busca a identidade que Tite tentou construir e Dorival herdou sem consenso. O Brasil do campo, no momento em que estas linhas são escritas, ainda precisa se provar neste torneio. O Brasil do palco, porém, não precisou de nada. Estava lá, soberano, sem pedir licença.
Há uma simetria que vale notar: Los Angeles não é território neutro para a música brasileira. A cidade que absorveu o funk, o pagode e o axé pelos seus estúdios e pistas conhece bem a trajetória de uma artista que passou anos convertendo o mercado americano — não chegando de mansinho, mas chegando com volume. Anitta não foi a Los Angeles fazer concessão. Foi confirmar presença.
A arquibancada que chamou Anitta de "mãe do Brasil" naquele instante não estava sendo imprecisa. Estava sendo honesta sobre o que sente quando vê algo seu sendo reconhecido longe de casa.
O que isso significa para o torneio que começa? Significa que o Brasil entrou na Copa de 2026 pelo portão principal. A cerimônia de abertura é memória antes de ser festa — daqui a vinte anos, o que ficará registrado é quem estava lá, quem cantou, quem representou. O nome que ficou gravado nesta abertura, pelo lado brasileiro, não foi o de um técnico nem o de um capitão. Foi o de uma cantora do Rio de Janeiro que chegou a Los Angeles e não diminuiu o volume.
Agora a bola rola. E o Brasil, que já ganhou a abertura, precisa ganhar os jogos.
Marcos Tibúrcio, Xaplin Esporte
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge