A França que não precisa convencer, apenas vencer
Análise · Marcos Tibúrcio Há seleções que jogam uma Copa do Mundo. E há seleções que administram uma Copa do Mundo.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há seleções que jogam uma Copa do Mundo. E há seleções que administram uma Copa do Mundo. A França, neste junho de 2026, está claramente na segunda categoria — e isso diz mais sobre o torneio do que sobre ela.
Dois jogos, duas vitórias, seis gols marcados, nenhum sofrido. O Grupo I já está resolvido. França e Noruega garantiram o mata-mata antes de se enfrentarem, o que transforma a última rodada da fase de grupos em algo que os técnicos chamam de "jogo de posicionamento" e que a arquibancada chama, com menos diplomacia, de ensaio.
Mas é exatamente aí que a Copa começa a ter textura. Porque o confronto entre França e Noruega não é apenas uma disputa por primeiro lugar num grupo já resolvido. É a antecipação de um cruzamento possível — e, dependendo do que acontecer no Grupo H, esse cruzamento pode chegar cedo demais para o Brasil.
O Grupo I está, portanto, produzindo um efeito colateral que vai muito além de si mesmo. Quem terminar à frente arruma um caminho. Quem terminar atrás arruma outro. E esses caminhos, nesta Copa de 48 seleções espalhada por três países, têm peso diferente. Não há mais aquele torneio compacto onde tudo se decide num raio de duzentos quilômetros. Aqui, a tabela é documento estratégico.
A França venceu o Iraque por 3 a 0 com a naturalidade de quem cumpre protocolo. Não há demérito nisso — há, na verdade, um sinal de maturidade coletiva que seleções nervosas não conseguem exibir. Dominar sem precisar demonstrar é competência rara. A questão é o que vem depois, quando o adversário também souber jogar.
A Noruega, por sua vez, chegou ao mesmo patamar de aproveitamento pelo caminho oposto — com a brutalidade física e a objetividade escandinava que não pede licença para entrar no jogo. Um confronto entre essas duas lógicas, a francesa e a norueguesa, pode ser o jogo mais honesto da fase de grupos desta Copa.
O que está em disputa na última rodada do Grupo I não é uma vaga — é uma narrativa. Quem lidera define o cruzamento, define o lado da chave, define quem encontra quem nas oitavas. E para um Brasil que constrói o próprio caminho no Grupo H, saber de que lado da chave estará a França não é detalhe de tabela. É dado de planejamento.
O futebol desta Copa já revelou que as seleções grandes chegaram grandes. Não há surpresa cômoda esperando no corredor. A França, com 100% de aproveitamento e nenhum gol sofrido, avisa que veio para administrar — até o momento em que precisar, de fato, jogar. Esse momento está chegando.
Marcos Tibúrcio, chefia de Esporte da Xaplin
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
Leia o factual: França lidera Grupo I da Copa 2026 após vencer Iraque
Fonte: ge