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Regra proíbe goleiro de usar uniforme vermelho em certos jogos

Detalhe aparentemente pequeno revela importante restrição técnica que afeta uniformes de goleiros em competições.

Regra proíbe goleiro de usar uniforme vermelho em certos jogos

Análise · Marcos Tibúrcio

Há detalhe que parece pequeno e não é. A Fifa anunciou, às vésperas da partida decisiva entre Brasil e Escócia, que os goleiros brasileiros não entrarão em campo com o uniforme vermelho originalmente previsto. A mudança veio da entidade, não da CBF. E esse ponto importa mais do que a cor da camisa.

Quem decide o que o goleiro veste numa Copa do Mundo não é o técnico, não é o diretor de futebol, não é o patrocinador — é a Fifa. Sempre foi assim, e o regulamento existe justamente para evitar que cores se confundam com as dos adversários ou das equipes de campo. A Escócia joga de azul escuro. O Brasil, de amarelo. O vermelho, nesse contexto, provavelmente criava conflito visual com algum elemento da partida — seja o uniforme alternativo escocês, seja a cor dos árbitros designados. A Fifa olhou, calculou e determinou. Fim.

Mas o que parece burocrático carrega uma tensão que a arquibancada entende antes do analista: goleiro com uniforme diferente do planejado entra em campo com uma perturbação a mais. Pequena, talvez. Invisível nos números. Real na cabeça do atleta.

Uniforme não é vaidade. É rotina. É o ritual de vestir aquela roupa específica no aquecimento, de reconhecer a cor na visão periférica quando um companheiro se movimenta. Mexer nisso na véspera é mexer no hábito, e goleiro vive de hábito.

O Brasil chega a esta quarta-feira precisando definir sua classificação. Não é jogo qualquer — é o tipo de partida em que tudo que foge ao controle da comissão técnica deveria ser eliminado antes do apito inicial. Uma troca de uniforme determinada pela Fifa às vésperas não é catástrofe, mas é exatamente o tipo de variável que equipes bem geridas tratam com silêncio e equipes mal geridas transformam em desculpa antecipada.

A CBF e a comissão técnica, até onde se sabe, absorveram a mudança sem declaração pública de protesto. É o comportamento correto. A Escócia, por sua vez, entra na partida com o próprio drama — uma seleção que chegou a esta Copa carregando décadas de ausência e que, diante do Brasil, tem pouco a perder e tudo a provar. Esse desequilíbrio de pressão costuma produzir futebol imprevisível.

O goleiro brasileiro vai a campo de uma cor que não era a cor combinada. A Escócia vai a campo sem o peso de uma camisa que carrega o peso do mundo. E o Brasil vai a campo precisando vencer — ou ao menos confirmar a classificação — diante de um adversário que tem muito menos a perder. Às 19h de Brasília, o que vai importar não é a cor da camisa. É o que acontece quando a bola cruza a linha.

Marcos Tibúrcio — Chefia de Esporte, Xaplin

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Fifa altera uniforme de goleiros do Brasil contra Escócia

Fonte: ge