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A estabilidade dos extremos na eleição que não

Análise · Beatriz Fonseca O eleitorado brasileiro, a mais de dois anos da eleição presidencial, permanece onde estava.

A estabilidade dos extremos na eleição que não
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Análise · Beatriz Fonseca

O eleitorado brasileiro, a mais de dois anos da eleição presidencial, permanece onde estava. A pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira, 27 de julho, mostra um cenário de notável estagnação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 43% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os números são virtualmente idênticos aos de meados de julho, quando o placar era de 47% a 44%. As oscilações, tanto no primeiro quanto no segundo turno simulado, ocorrem dentro da margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento.

A imobilidade dos números sugere que as estruturas de apoio dos dois principais campos políticos estão consolidadas. O presidente Lula e o nome que hoje representa o capital político de seu antecessor parecem ancorados em bases eleitorais que reagem pouco a eventos conjunturais. A avaliação do governo, por exemplo, também se manteve estável: 43% a consideram negativa e 36%, positiva. Na minha opinião, isso indica que a percepção sobre a gestão e a intenção de voto estão, no momento, cristalizadas, alimentando-se mutuamente em um sistema fechado de convicções.

Mais revelador do que a preferência é o teto de cada candidato, demarcado pela rejeição. Ambos os nomes que lideram as simulações são também os que enfrentam maior resistência. Metade do eleitorado (50%) afirma que não votaria em Flávio Bolsonaro, enquanto 48% dizem o mesmo sobre Lula. A proximidade desses índices de repulsa é o que define o espaço da disputa. A eleição não seria vencida pela capacidade de conquistar novos eleitores, mas pela menor capacidade de aliená-los.

O levantamento da Nexus, realizado por telefone entre 24 e 26 de julho, aponta para a solidez dos dois polos. Para 37% dos entrevistados, Lula é o único candidato em quem votariam; para 25%, esse posto é ocupado por Flávio Bolsonaro. São núcleos irredutíveis. A pequena vantagem do presidente, portanto, reside não apenas nos quatro pontos que o separam do adversário no segundo turno, mas na maior fidelidade de sua base primária. Contudo, essa mesma estrutura rígida é o que produz os empates técnicos contra outros nomes, como Ronaldo Caiado (45% a 43%) e Romeu Zema (46% a 42%). Lula tem um piso alto, mas seu teto é visível.

O cenário descrito pela pesquisa não é uma fotografia do futuro, mas um retrato das divisões do presente. Mostra uma nação politicamente organizada em torno de duas forças que se definem mais pela negação mútua do que por projetos expansivos. A questão que a estagnação dos números levanta é se haverá evento, ou candidato, capaz de romper a inércia de um país que parece já ter decidido em quem não quer votar.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Lula e Flávio Bolsonaro registram 47% e 43% em 2º turno

Fontes: Folha de S.Paulo · CNN Brasil · UOL