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Marcos Tibúrcio veste a camisa amarela e marca 12 gols

Marcos Tibúrcio, craque da Seleção, transformou 12 gols em estatística vestindo a icônica camisa amarela.

Marcos Tibúrcio veste a camisa amarela e marca 12 gols
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Doze gols. Para o homem que veste a camisa da Seleção, o número é estatística. Para o garoto que sonha com ela, é a distância entre o campo de terra e o gramado sagrado. Samuel Lino, atacante do Flamengo, está a dois de sua melhor temporada. E agora, com a convocação de Carlo Ancelotti, ele sabe que a camisa amarela não é um fim, mas um começo de contagem. Uma nova folha em branco.

É preciso lembrar de onde veio esse jogador. Não o Lino das manchetes, do gol que levanta a geral do Maracanã. Mas o Lino que desembarcou na Gávea como uma aposta, uma incógnita embrulhada em talento europeu que precisava se provar brasileiro outra vez. Quantos não voltaram e se perderam na paisagem familiar? O futebol tem memória curta, mas a arquibancada não. E a arquibancada viu um ponta, depois um atacante, transformar desconfiança em urgência.

Sob a prancheta de Leonardo Jardim, ele virou a peça que o time não sabia que lhe faltava. O drible que quebra a primeira linha, o chute que não pede licença. Longe dos microfones nervosos, das polêmicas fabricadas que assombram os vestiários do Rio de Janeiro, ele fez do campo a sua única tribuna. O silêncio fora dele amplificou o barulho que seus pés faziam dentro das quatro linhas.

Há quem diga, e talvez com alguma razão, que a convocação premia o momento do clube tanto quanto o brilho do indivíduo. Que um Flamengo em estado de graça empurra seus homens para a vitrine. Pode ser. O futebol não é feito de heróis solitários. Mas seria mesquinho reduzir a jornada a uma simples consequência do ambiente. No time de Jardim, ele não é um passageiro. É o motorista.

Nesta quinta-feira, contra o Independiente del Valle, o ar será rarefeito na altitude. Um teste físico, um desafio que a biologia impõe. Mas para Samuel Lino, o verdadeiro teste já começou. É o peso de uma camisa que não se veste, se encarna. A camisa que não perdoa o corpo mole, o drible displicente, a finalização frouxa. Ancelotti o chamou. Agora, quem precisa dar a resposta é ele.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Samuel Lino, do Flamengo, é convocado para a Seleção

Fonte: ge