Maracanã vive 'assombração' de 2021 em novo jogo
Placar final acende alerta e reacende memórias da derrota de 2021 no ginásio do Maracanã.
Análise · Marcos Tibúrcio
O placar, quando soa a sirene, é um fato. Mas antes dele, no silêncio da concentração ou no ruído da arquibancada, vive a memória. E a memória do voleibol brasileiro, quando olha para a Colômbia do outro lado da rede, tem a data inconveniente de 2021. Naquela noite, em Barrancabermeja, o impensável aconteceu: o Brasil perdeu. Perdeu para as colombianas, quebrando uma invencibilidade continental que parecia talhada em pedra. O título sul-americano veio no saldo de sets, um detalhe de planilha que salvou a honra, mas não apagou a cicatriz.
Cinco anos depois, o palco é outro. É o Maracanãzinho, o velho templo de tantas glórias, onde as paredes guardam ecos de saques e bloqueios que definiram gerações. O Brasil de José Roberto Guimarães chega invicto, dono de vitórias protocolares sobre Peru e Venezuela. A Colômbia, por sua vez, carrega o peso de uma derrota recente para a Argentina, um 3 a 2 que lhes arrancou pontos e, talvez, a alma. A vaga para as Olimpíadas de Los Angeles, que parecia um horizonte possível, agora é uma miragem distante.
O jogo desta noite, portanto, não é apenas um degrau na classificação. Para o Brasil, é a chance de reafirmar uma ordem natural das coisas, mostrar que a noite de 2021 foi um desvio, um acidente. Para a Colômbia, é a última chance de provar que aquele acidente foi, na verdade, um ensaio. Uma vitória no Maracanãzinho não lhes dará a vaga olímpica — a matemática se tornou uma inimiga cruel —, mas lhes devolveria o respeito que se conquista ao calar um ginásio anfitrião. É a diferença entre jogar por um troféu e jogar pela própria história.
Em quadra, o Brasil tem Gabi, a capitã que voltou de lesão, e a força de um elenco que o técnico roda para não deixar o ritmo cair. É o time da lógica, do favoritismo, da obrigação. Do outro lado, uma equipe que joga contra os números e a favor da lembrança. Uma análise fria diria que as chances colombianas são remotas, um capricho estatístico. Mas a quadra, como o campo, não é um laboratório de certezas.
Quando a bola subir, às oito da noite, o que estará em jogo não é apenas a terceira vitória brasileira. É a disputa entre a normalidade e a assombração. Quantos fantasmas cabem numa partida de vôlei?
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fontes: CNN Brasil · ge