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Camisa amarela não cura joelho, diz estudo

Marcos Tibúrcio analisa o silêncio particular no futebol: não é o do estádio vazio, nem o da bola que não entra. O silêncio da camisa que cura.

Camisa amarela não cura joelho, diz estudo
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Marcos Tibúrcio

Há um silêncio particular no futebol. Não é o do estádio vazio, nem o da bola que não entra. É o silêncio do departamento médico, um limbo onde o tempo se mede em sessões de fisioterapia e o futuro é uma ressonância magnética. Pedro conheceu este silêncio. Um ligamento rompido em 2024 tirou-lhe não só o chão, mas a camisa da Seleção que já vestira antes.

Nesta quarta-feira, um telefone tocou na Gávea e o som quebrou aquele silêncio antigo. O nome de Pedro estava na lista de Carlo Ancelotti. De novo. Ao seu lado, o de Samuel Lino. O Flamengo, que tantas vezes se vê como um país à parte, cede dois de seus homens para a pátria de chuteiras.

A convocação de um jogador é sempre duas histórias. A primeira é a do técnico, uma narrativa de planilhas e necessidades táticas contra adversários como Austrália e Índia. A segunda, mais densa, é a do homem. Para Pedro, o chamado não é um prêmio, é uma alta. É a confirmação de que um joelho refeito pode, sim, sonhar os mesmos sonhos do joelho são. Quando ele diz que espera “desfrutar”, a palavra não é protocolar. É de quem aprendeu, da forma mais dura, que cada minuto em campo é uma concessão do destino.

Samuel Lino vive outro drama, mais sutil. Já esteve lá, é verdade, mas como peça de reposição, chamado às pressas para o lugar de um lesionado. Ser o primeiro nome na lista de emergência não é o mesmo que ser o nome na lista. Agora é. Agora a convocação não vem com asterisco. É a passagem da condição de recurso para a de escolha, um batismo tardio, mas nem por isso menos sagrado.

É claro que, para o pragmático, esta é apenas uma lista para amistosos contra seleções que não frequentam o topo do mapa-múndi do futebol. Uma observação, um teste. Nada está garantido, e a camisa amarela que hoje veste pode ser apenas um empréstimo. Mas quem viveu o futebol na arquibancada, e não só na tela, sabe que o esporte não é feito de garantias, mas de instantes.

Para dois homens, este instante tem o peso de uma redenção. Para um, o fim de um exílio físico. Para o outro, o fim de uma espera. O que Ancelotti fará com eles em Calcutá ou Brisbane, ainda não sabemos. Mas o que a convocação já fez por eles, no vestiário do Flamengo, é o tipo de vitória que não entra em súmula.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Ancelotti convoca Pedro e Samuel Lino, do Flamengo, para amistosos

Fonte: ge