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Lula se encontra com portugueses durante viagem a Portugal

Enquanto um candidato à Presidência da República viajava por Portugal, o ex-presidente Lula se encontrava com portugueses e lideranças políticas.

Lula se encontra com portugueses durante viagem a Portugal
Capa tipográfica · Xaplin

Análise · Luciano Aragão

Enquanto um candidato à Presidência da República viajava por Portugal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tinha agenda pública e os desfiles oficiais em Brasília transcorriam com a liturgia possível, a eleição se decidia em outro lugar. Ou, ao menos, se ensaiava. O endereço da disputa neste 7 de Setembro foi o mesmo de tantas outras vezes: a Avenida Paulista, em São Paulo. Três candidatos presidenciais escolheram o asfalto paulistano para discursar. Falaram de coisas distintas, para públicos distintos, no mesmo quarteirão simbólico.

Flávio Bolsonaro (PL) foi o mais direto. Em frente ao Masp, prometeu ser "radical" contra o crime, com propostas como a castração química para estupradores e a classificação de facções como narcoterroristas. O discurso mirou o Supremo Tribunal Federal, com críticas nominais a ministros, e prometeu resgatar a credibilidade do Judiciário. A agenda é clara e o vocabulário, testado. É o mesmo roteiro que energiza sua base há anos.

A poucos metros, Romeu Zema (Novo) também ocupava a avenida. O governador de Minas Gerais ofereceu uma crítica institucional, não pessoal. Propôs mudar a forma de indicação de ministros para tribunais superiores, sugerindo um critério de idade e trajetória acadêmica. É uma pauta igualmente crítica ao Judiciário, mas embalada para um eleitor que prefere a reforma à ruptura. O alvo é o mesmo, a munição é outra.

Havia ainda uma terceira via de insatisfação, no Obelisco do Ibirapuera, com Renan Santos (Missão) defendendo abertamente o afastamento e a prisão de ministros do STF. Para cada grau de antagonismo com as cortes, uma candidatura se apresentou.

O que se viu em São Paulo foi a fragmentação de um sentimento, com cada campanha tentando capturar sua fatia. O exercício é legítimo, embora não se saiba ainda qual dessas melodias tem maior capacidade de ressonância para além dos convertidos. A narrativa de confronto com o Judiciário deixou de ser um monopólio, tornando-se um mercado com diferentes ofertas.

Longe dali, no Amazonas, o candidato Omar Aziz (PSD) percorria a BR-319. No mesmo dia, Hertz Dias (PSTU) participava do Grito dos Excluídos em Cajamar, defendendo a soberania do país contra o imperialismo. A eleição tem muitas avenidas, algumas de terra, outras ocupadas por quem nunca as frequentou. A questão que fica deste Sete de Setembro é qual delas, afinal, leva ao Palácio do Planalto.

Luciano Aragão — Brasília. Xaplin.

Leia o factual: Candidatos a presidente e governos estaduais cumprem agendas em 7

Fontes: Agência Brasil · g1