Trump anuncia novas tarifas sobre importações: mercados globais reagem
Nova rodada de tarifas comerciais dos EUA agita mercados globais e pressiona economias emergentes.
O presidente Donald Trump anunciou nesta quinta-feira uma segunda rodada de tarifas sobre importações, direcionada especificamente a países que "não responderam adequadamente" ao Dia da Libertação de 2 de abril. A lista inclui Brasil, Índia, Vietnã, Tailândia e Turquia — países que, segundo o representante comercial dos EUA, "se beneficiam de acesso ao mercado americano sem oferecer reciprocidade".
O que muda para o Brasil
As novas tarifas afetam setores que haviam sido poupados na primeira rodada: café torrado e moído (nova tarifa de 10%), celulose (15%), carne bovina in natura (12%) e aeronaves da Embraer (10%). Somadas às tarifas de 2 de abril, a alíquota média ponderada sobre exportações brasileiras para os EUA sobe de 4,2% (pré-Trump) para 18,7% — um aumento de 345%.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) calculou que o impacto total das duas rodadas de tarifas pode reduzir as exportações brasileiras para os EUA em US$ 8 bilhões anuais — equivalente a 0,4% do PIB. O setor mais afetado em volume é a soja processada; em valor agregado, são as aeronaves da Embraer, cuja competitividade no mercado americano de jatos regionais é diretamente ameaçada.
"Trump não está fazendo política comercial. Está fazendo política eleitoral com a economia do mundo como cenário."
A reação brasileira
O governo Lula convocou reunião de emergência do Conselho de Comércio Exterior (Camex). A estratégia desenhada combina três frentes: retaliação cirúrgica (tarifas sobre bourbon, maçãs e gás natural americano — produtos de estados-chave para Trump); negociação bilateral (oferta de abertura de mercado para serviços financeiros e tecnologia americana); e diversificação acelerada (ampliação de acordos com Mercosul-UE, China e Índia).
A retaliação é arriscada: o Brasil exporta 4x mais para os EUA do que importa, o que significa que em uma guerra comercial simétrica, o Brasil tem mais a perder. Mas a não-retaliação também é arriscada: sinaliza que o Brasil aceita tarifas unilaterais sem custo — o que convida a mais tarifas.
O cenário global
A segunda rodada de Trump transformou tensão comercial em crise comercial. A OMC (Organização Mundial do Comércio) emitiu nota afirmando que as tarifas "violam princípios fundamentais do sistema multilateral de comércio", mas a OMC não tem mecanismo de enforcement — é, na prática, um tribunal sem polícia. O mundo assiste a uma fragmentação do comércio global que não se via desde os anos 1930. A diferença é que, desta vez, temos armas nucleares e cadeias de suprimento interdependentes. Os riscos são maiores.