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A conta chega quando a gente menos espera

**DEK:** Brasileiros gastam 37% a mais com serviços assinados do que planejam; Dona Carmem explica por que a gente cai sempre na mesma cilada.

A conta chega quando a gente menos espera

BANCA DE JORNAL**DEK:** Brasileiros gastam 37% a mais com serviços assinados do que planejam; Dona Carmem explica por que a gente cai sempre na mesma cilada.

O Fato

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a Federação Brasileira de Bancos, publicada em 10 de abril de 2026, revelou que 68% dos brasileiros com renda entre um e cinco salários mínimos mantêm assinaturas digitais ativas que não utilizam regularmente. O estudo entrevistou 2.304 pessoas em dez capitais brasileiras entre fevereiro e março deste ano.

Segundo o levantamento, o gasto médio mensal com serviços como streaming, aplicativos de entrega, academias digitais e softwares de organização chega a R$ 340 por família. Desse total, R$ 127 — aproximadamente 37% — vão para assinaturas esquecidas ou pouco usadas. A pesquisa identificou que a idade média de quem mais cai nessa armadilha é entre 28 e 42 anos, justamente quando as pessoas têm mais responsabilidades mas ainda caem na tentação de "só um mês mais".

O diretor executivo do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, destacou em nota à imprensa que esse padrão revela um problema estrutural: "As empresas de assinatura criaram modelos baseados em atraso. Quanto mais você esquece de cancelar, mais eles ganham." O aplicativo de finanças pessoais Guiabolso, que rastreou o comportamento de 450 mil usuários, confirmou dados similares em seu relatório de março. A maior parte dos cancelamentos acontece entre o terceiro e quarto mês de inatividade — quando o usuário finalmente vê o débito na fatura do banco.

A Cilada Tem Nome: Comodidade

Escuta só, meu filho. Eu vejo isso desde que nasci. Meu avô pagava jornal todo dia de manhã. Minha mãe pagava a televisão a cabo quando a gente usava, e quando não usava, ela cancelava. Pronto. Acabou. Ninguém ficava chorando não.

Mas isso aí que tá acontecendo agora é diferente. É comodidade armada, feita em laboratório. Você não tira o cartão do bolso, não assina nada com a teta da mãe. Clica um botão no sofá, de pijama, 23h da noite. O serviço começa hoje, o dinheiro sai do banco daqui a cinco dias, e você só vê mesmo na fatura do mês que vem. Quando vê, pensa: "Ah, agora cansa de cancelar. Mês que vem eu cancelo." Mês que vem chega, você tá cansado, coloca no cofrinho da memória e segue.

A gente não tá gastando errado. A gente tá sendo ensinado a gastar errado. E o pior é que caímos de olho aberto na cilada.

Dona Carmem vou te contar uma coisa: a minha neta assinou uma plataforma de yoga em janeiro porque a mãe dela tava com problema nas costas. Agora é abril e ela nem sabe mais a senha. Tá pagando todo mês R$ 49,90 de yoga que ela não faz. Paguei isso num dia para ouvir música na rádio da minha cozinha, de graça.

O Truque Que Ninguém Quer Admitir

Mas sabe qual é o segredo mesmo? As empresa sabe que você é preguiçoso. Não é mal. É humano. Ninguém acordou com vontade de lidar com burocracia. Se fosse fácil cancelar quanto é fácil se inscrever, a conversa seria diferente. Mas é complicado de propósito. Tem que entrar no site, procurar "minha conta", depois "configurações", depois "assinaturas", depois confirmar com email.

Enquanto isso, o YouTube tá mandando mensagem toda semana lembrando que você tem um mês grátis de Premium. Tá doido você resistir? Clica. Coloca o cartão. Tá feito. Daqui a trinta dias, a coisa renasce automática como ressurreição.

O que o Instituto Locomotiva descobriu é simples: Brasil perde R$ 51 bilhões por ano com essas assinaturas fantasma. Isso é mais que o orçamento inteiro de saúde em alguns estados. Enquanto isso, criança tá comendo pão com margarina.

A Filosofia Que Ninguém Quer Ouvir

Meu filho, eu vou te ensinar uma coisa que meu pai me ensinou. Dinheiro que você gasta sem ver sair é dinheiro que você tá deixando morrer. Você acha que perde pouco — R$ 40 aqui, R$ 30 ali. Mas no fim do mês, é uma passagem de ônibus. No fim do ano, é uma viagem que você não faz. Na vida toda, é a herança que você não deixa para ninguém.

O problema não é a assinatura. É a gente não respeitar o próprio dinheiro. A gente fala "ah, é pouco", mas pouco do seu é muito pra quem não tem nada. E a gente fica justificando: "Ah, mas é comodidade", "É moderno", "Todos fazem".

Sabe o que é moderno mesmo? Olhar na cara do seu dinheiro e decidir por ele. Cancelar aquilo que você não usa. Ficar com raiva da empresa que tenta te enganar. Pagar só o que você de verdade quer.

Quando você deixa de lutar pelo seu dinheiro, ele para de lutar por você.

Dona Carmem diz: revisa essa lista de assinatura hoje mesmo. Corta tudo que você não usa. E quando vir aquela mensagem bonita falando "tente de graça por um mês", pense duas vezes. O mês grátis custa a sua paz de espírito.

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