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Teleconsultas do SUS em Belo Horizonte expandem atendimento

Plataforma digital oferece consultas remotas de segunda a sexta para pacientes com sintomas leves, reduzindo pressão sobre emergências.

Teleconsultas do SUS em Belo Horizonte expandem atendimento
Banca de Jornal — Saúde & Bem-estar **DEK:** Plataforma digital oferece consultas remotas de segunda a sexta para pacientes com sintomas leves, reduzindo pressão sobre emergências.

O Fato

A Prefeitura de Belo Horizonte ampliou o acesso a teleconsultas no SUS como resposta ao aumento de casos de doenças respiratórias na capital mineira, conforme informado pela assessoria de comunicação da administração municipal em boletim publicado pelo G1 em 14 de abril de 2026. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, atendendo pacientes com dois anos ou mais residentes em BH que procuram diagnóstico e orientação para sintomas leves como tosse, espirro, coriza e febre.

A plataforma de teleconsulta opera como filtro inicial do sistema de saúde, redirecionando casos que exigem avaliação presencial para unidades básicas ou prontos-socorros. Segundo a prefeitura, até a última semana anterior ao boletim, o serviço registrou crescimento consistente na demanda, refletindo tanto a sazonalidade das infecções respiratórias quanto a busca por alternativas que evitem aglomeração em unidades de emergência. O acesso ocorre exclusivamente via plataforma digital municipal, com agendamento prévio ou consulta sob demanda conforme disponibilidade.

O contexto de alta respiratória no Brasil central intensifica-se entre março e agosto, período de clima seco e transição sazonal. Belo Horizonte, capital de Minas Gerais com aproximadamente 2,7 milhões de habitantes, estruturou a teleconsulta como recurso de descongestionar o atendimento presencial nas 160 unidades básicas de saúde e reduzir tempo de espera nas emergências. A medida alinha-se às diretrizes do Ministério da Saúde de priorizar tecnologia para acesso equitativo, especialmente em contexto de recursos limitados.

A Análise de Dra. Camila Torres

A teleconsulta não é solução mágica, mas é ferramenta inteligente quando bem aplicada. O que vejo em Belo Horizonte é gestão adequada de fluxo — e isso importa porque economiza vidas. Quando alguém com tosse simples ocupa uma maca de emergência por 6 horas, a pessoa com infarto espera mais. Cada minuto conta.

O acesso de pacientes com dois anos ou mais é dado correto: crianças menores precisam de exame físico (ausculta, palpação, avaliação de tiragem). Mas adolescentes, adultos e idosos frequentemente resolvem questões respiratórias leves via consulta remota se tiverem orientação clara. Uma mãe que recebe confirmação de que a criança tem resfriado simples e não necessita antibiótico já reduz a automedicação — problema crônico no Brasil.

O horário expandido (8h às 20h) reconhece que saúde não funciona 9 às 17. Quem trabalha durante o dia pode acessar à noite. Quem cuida de dependentes pode marcar no intervalo. Inclusão não é burocracia; é pensar em quem de fato vai usar.

Uma teleconsulta eficiente não substitui medicina presencial; ela liberta a medicina presencial para casos que de verdade a exigem.

Preciso ser clara: teleconsulta funciona em cenário onde há telessaúde de qualidade — médicos preparados para avaliar remotamente, acesso internet estável e capacidade de encaminhar para presencial quando necessário. Belo Horizonte tem estrutura para isso. Nem todo município brasileiro tem. E essa desigualdade é problema que continua sem solução nacional adequada.

O segundo ponto crítico: adesão. Serviço disponível que ninguém conhece não reduz fila. Comunicação clara, campanha em rádio comunitária, cartaz em farmácia — tudo é parte da implementação. Dados de adesão são tão importantes quanto a tecnologia em si.

Se o SUS oferece acesso remoto e você insiste em ir à emergência com coriza, a falha não é do serviço — é da informação que chegou até você.

Dra. Camila Torres — Saúde & Bem-estar. Banca de Jornal, Xaplin.