Scaloni mantém silêncio sobre polêmica envolvendo seleção argentina
Análise · Marcos Tibúrcio Há uma arte no futebol que poucos dominam e que nenhuma universidade ensina: a arte de não responder.
Análise · Marcos Tibúrcio
Há uma arte no futebol que poucos dominam e que nenhuma universidade ensina: a arte de não responder. Lionel Scaloni, técnico da Argentina bicampeã do mundo, chegou a esta Copa de 2026 como alvo natural de toda provocação — e, diante da declaração de Carlo Ancelotti que tentou acender uma faísca antes da hora, escolheu o caminho mais inteligente. Disse que entendeu como elogio. E encerrou o assunto.
A tentativa de antecipar um duelo entre Argentina e Brasil ainda na fase de grupos — ou mesmo antes das quartas — é um esporte antigo da imprensa e dos bastidores. A Copa mal começou, e já se buscava o confronto dos confrontos no horizonte. Ancelotti, com a experiência de quem já viu muito neste ofício, disse o que disse. Scaloni, com a frieza de quem conquistou o mundo duas vezes seguidas como técnico, não mordeu a isca.
Isso tem um nome: maturidade de gestão. O Scaloni de 2026 não é o mesmo que estreou de surpresa no banco argentino em 2018, ainda aprendendo a sentar naquela cadeira. É um técnico que sabe que Copa do Mundo se vence dentro de campo e se perde fora dele quando a cabeça do grupo vai para onde não deveria ir. Nenhum craque joga bem com polêmica sobrando na cabeça. Nenhum vestiário respira bem quando o técnico alimenta ruídos desnecessários.
A declaração de Ancelotti era uma daquelas pedras jogadas no meio do caminho para ver se alguém tropeça. Scaloni passou por cima como se nem estivesse lá.
Há, claro, um cálculo por trás do silêncio elegante. A Argentina sabe o peso que carrega. Campeã em 2022, com Messi ainda em campo — mesmo que em ritmo e condição que só o próprio tempo dirá quais são —, a seleção de Scaloni chega como alvo de todos os outros 47 países que disputam este torneio. Alimentar rivalidade com o Brasil, antes mesmo de um encontro estar marcado, seria um presente gratuito para os adversários. Scaloni não faz presentes.
O que fica, então, da cena? Fica a confirmação de que esta Copa já tem seus personagens definidos antes mesmo dos jogos grandes. Argentina e Brasil, como sempre, orbitam no centro de toda narrativa, mesmo quando estão jogando outras partidas, em outros estádios, contra outros adversários. A imprensa, a torcida e até os técnicos de outras seleções gravitam ao redor dessa possibilidade. É quase um destino.
Scaloni, ao transformar uma potencial polêmica em elogio, jogou uma partida antes da partida. E, por enquanto, ganhou. O que vem depois — dentro de campo, contra onze adversários com bola nos pés — é onde a história realmente se escreve. O técnico sabe disso. E por isso calou.
Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.
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Fonte: ge