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Principal general dos EUA perde cargo horas depois de discurso

Poucas horas depois do discurso de Trump sobre a guerra no Irã, o principal general das Forças Armadas americanas foi removido do cargo.

Intermezzo — Opinião

Poucas horas depois do discurso de Trump sobre a guerra no Irã, o principal general das Forças Armadas americanas foi removido do cargo. A velocidade é o dado mais revelador. Não é uma reorganização planejada. É uma purga.

O que aconteceu

O general, cuja identidade já circula nos meios militares mas que o Pentágono ainda não confirmou oficialmente, teria expressado reservas sobre a escalada no Irã em reuniões internas. Não publicamente — internamente. A diferença importa: discordância interna é pilar de qualquer estrutura militar saudável. Punir discordância interna é pilar de qualquer estrutura autoritária.

Trump, no discurso televisionado, enfatizou "unidade total" das Forças Armadas. Horas depois, a unidade foi garantida pela remoção de quem não era totalmente unido.

Quando um general é removido por discordar em reunião fechada, a mensagem não é para ele. É para todos os outros generais: discordem em silêncio ou não discordem.

O precedente histórico

Presidentes americanos já demitiram generais antes. Truman demitiu MacArthur na Coreia. Obama substituiu McChrystal no Afeganistão. Mas nesses casos, havia discordância pública, insubordinação clara. Aqui, a remoção veio por discordância privada — o que é categoricamente diferente.

Uma estrutura militar que não tolera debate interno é uma estrutura que toma decisões piores. A história militar está repleta de desastres causados por líderes que se cercaram de "sim, senhor" e eliminaram vozes dissidentes. O Vietnã é o exemplo mais citado. O Iraque de 2003, o mais recente.

O que isso significa para a guerra

Se o principal assessor militar é removido por questionar a estratégia, quem resta para questionar? Se o círculo de decisão se estreita a pessoas que concordam com o presidente, quem identifica os erros antes que se tornem irreversíveis?

A guerra no Irã acaba de perder seu último freio interno. E guerras sem freio tendem a ir mais longe, durar mais e custar mais do que qualquer discurso televisionado promete.

A redação da Intermezzo