Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Uruguai empata com Arábia Saudita na Copa

Análise de Marcos Tibúrcio sobre o resultado simbólico do Uruguai contra a Arábia Saudita.

Uruguai empata com Arábia Saudita na Copa

Análise · Marcos Tibúrcio

Há algo de simbólico, e de perturbador, no fato de o Uruguai ter saído de campo com um empate diante da Arábia Saudita. Não pelo resultado em si — Copa do Mundo tem surpresa, tem tropeço, tem dia ruim. O que incomoda é o padrão. O Uruguai não chegou sozinho a esse placar: chegou carregando uma tradição que os outros sul-americanos já haviam inaugurado nesta Copa, uma rodada de abertura que, para o continente, soou mais como ensaio do que como estreia.

Os sul-americanos chegaram aos Estados Unidos, ao México e ao Canadá como chegam sempre — com a autobiografia do futebol mais dramático do planeta, com histórias de mundiais ganhos e perdidos em lances que ainda doem décadas depois. E foram, um atrás do outro, não conseguindo vencer. O Uruguai foi mais um. O 1 a 1 contra a Arábia Saudita não é um acidente isolado; é mais um capítulo de uma sequência que começa a ter a consistência de um problema.

O recorte histórico é preciso: o maior jejum sul-americano em primeiras rodadas de Copa remonta a 1974. Cinquenta e dois anos atrás. O continente que pariu Pelé, Maradona, Zico, Ronaldo — e que pariu o próprio Varela, o Obdulio que mandou o Maracanã calar a boca em 1950 — está, neste momento, reproduzindo um fantasma que julgava ter deixado para trás.

Há torneios em que o continente perde uma partida. Há torneios em que o continente perde o passo. Este começo de Copa levanta a segunda hipótese.

O Uruguai de 2026 não é um time qualquer. Tem estrutura, tem experiência de Copa, tem jogadores que conhecem o peso de uma camisa celeste numa fase de grupos. Empatar com a Arábia Saudita, equipe que já mostrou capacidade de surpreender gigantes — lembremos o que aconteceu contra a Argentina em 2022 —, não é uma vergonha histórica. Mas também não pode ser tratado como fatalidade tolerável. Porque a soma dos empates e derrotas sul-americanos nesta rodada começa a ter um peso que nenhuma análise técnica individual dá conta de explicar completamente.

Existe, na arquibancada, uma percepção que os boletins técnicos demoram a admitir: quando um padrão se repete em seleções diferentes, de comissões técnicas diferentes, em cidades diferentes do mesmo torneio, o problema deixa de ser tático e passa a ser estrutural. Ou conjuntural. Ou as duas coisas ao mesmo tempo — o que é ainda mais difícil de resolver em 72 horas antes da segunda rodada.

O Uruguai tem tempo de se ajustar. O continente, como entidade, não tem o mesmo luxo: a primeira rodada já foi, e o Sul da América a atravessou sem uma única vitória para chamar de sua. Em 1974, isso aconteceu. Levou meio século para se repetir. A questão agora não é lamentar o jejum — é entender se o que está acontecendo é uma coincidência estatística ou o retrato de algo mais fundo, que a bola em campo eventualmente vai revelar.

Marcos Tibúrcio — Esporte — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Uruguai empata e amplia sequência ruim dos sul-americanos na Copa

Fonte: ge