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Lula e Flávio Bolsonaro empatam em eleição simulada no Rio

Pesquisa mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no primeiro turno e segundo turno no Rio.

Análise · Beatriz Fonseca

Um ponto percentual separa Lula (PT) de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno; nenhum os separa no segundo. A pesquisa Quaest, encomendada pela Globo e registrada no TSE sob o número BR-01720/2026, oferece o retrato de um país dividido em metades equivalentes: 41% para o presidente, 41% para o senador. A margem de erro, de dois pontos, sublinha o que os números já dizem. É um empate.

O dado principal da pesquisa, realizada entre 3 e 6 de setembro, não é a estabilidade, mas o que ela estabiliza. O levantamento anterior, de 2 de setembro, mostrava placar semelhante: Lula com 42%, Flávio Bolsonaro com 41%. A fotografia, portanto, é a mesma. O que mudou foi o ambiente em que a fotografia foi exposta. Neste intervalo, o senador Flávio Bolsonaro chamou o 8 de janeiro de "farsa" e um ministro do Supremo Tribunal Federal de "laranja podre" em ato na Avenida Paulista, segundo registro do g1 de 7 de setembro. O presidente Lula, no mesmo dia, foi à TV criticar a família Bolsonaro. A temperatura subiu. Os ponteiros não se moveram.

Na minha leitura, isto sugere que os dois campos políticos consolidaram seus territórios. O eleitorado parece ter entrado em um modo de operação no qual os acontecimentos da semana, mesmo os de maior voltagem, servem para confirmar posições, não para alterá-las. A mesma pesquisa Quaest aponta um governo com aprovação de 43% e desaprovação de 50%. Há uma correlação evidente entre a avaliação da gestão e a intenção de voto no presidente. O mesmo se aplica ao seu adversário: Flávio Bolsonaro herda um capital político que não depende de suas ações como senador, mas de sua posição como representante de um projeto.

O empate no segundo turno contrasta com a distância do primeiro, no qual Lula lidera com 36% contra 29% de Flávio Bolsonaro. Essa diferença de sete pontos é o campo de batalha. É ali que moram os eleitores de Augusto Cury (Avante), com 8%, de Ronaldo Caiado (PSD) e de outros candidatos. A capacidade de Flávio Bolsonaro de atrair quase a totalidade desses votos em uma disputa direta contra Lula é o que produz o empate. O presidente, por sua vez, parece ter dificuldade em expandir sua base para além do que já possui.

A pesquisa é um instantâneo, e como todo instantâneo, pode ser enganosa se tomada como previsão do futuro. Ela não mede o efeito de uma campanha, do tempo de televisão, de um debate ou de uma crise inesperada. Ela mede o humor do eleitorado em uma segunda-feira de setembro.

A questão que os números de hoje não respondem é se este empate técnico representa um teto para os dois candidatos ou um piso a partir do qual se pode construir. Em outras palavras, se o que vemos é uma moldura definitiva ou apenas o esboço inicial de um quadro que ainda será pintado.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: Lula e Flávio Bolsonaro empatam com 41% no 2º turno, diz Quaest

Fontes: g1 · Folha de S.Paulo