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O que Trump diz que ataque do Irã a caça revela sobre nós

✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Trump não deu detalhes sobre os esforços de busca e resgate do piloto que segue.

Intermezzo — Opinião

A manchete do dia diz: "Trump diz que ataque do Irã a caça dos EUA não interrompe negociações: 'Estamos em guerra'". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.

O que está por trás

Caça dos EUA é derrubado no Irã; um piloto foi resgatado e outro está desaparecido O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou o ataque do Irã a um caça americano em entrevista à emissora de TV NBC News nesta sexta-feira (3), mas garantiu que ele não fará com que seu governo interrompa as negociações com o regime iraniano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Trump não deu detalhes sobre os esforços de busca e resgate do piloto que segue desaparecido no Irã, m

Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.

Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.

A pergunta que ninguém faz

Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.

E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.

O que fazer

Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.

A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.