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221 navios cruzaram Ormuz desde o início dos ataques

A Kpler registrou 240 travessias no estreito entre março e abril, a maioria com origem ou destino iraniano.

Intermezzo — Opinião

A manchete do dia diz: "Guerra do Irã: 221 navios atravessaram o Estreito de Ormuz desde início dos confrontos". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.

O que está por trás

Irã mostra momento em que chefe da Marinha dá ordem para fechar Estreito de Ormuz Um total de 221 embarcações de transporte de petróleo, gás ou outros produtos cruzaram o Estreito de Ormuz, a maioria procedente ou com destino ao Irã, de 1º de março a 3 de abril, segundo uma análise da AFP com dados da Kpler. De acordo com os dados da Kpler, empresa que compila informações marítimas, como alguns navios cruzaram várias vezes a rota, o número total de travessias na verdade é de 240. Em 122 casos,

Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.

Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.

A pergunta que ninguém faz

Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.

E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.

O que fazer

Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.

A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.