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O que Avião atinge casas e restaurante ao cair em revela sobre nós

Avião atinge casas e restaurante ao cair em Capão da Canoa.

Banca de Jornal — Opinião

A manchete do dia diz: "Avião atinge casas e restaurante ao cair em Capão da Canoa". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.

O que está por trás

Destruição causada por queda de avião reprodução/TV Globo Quatro pessoas morreram na queda de um avião de pequeno porte em Capão da Canoa, no Rio Grande do Sul. Eram 10h30 quando o acidente aconteceu. O avião caiu e explodiu, formando uma grande nuvem de fumaça. Quatro pessoas estavam a bordo: os empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, e os pilotos, Nelio Maria Batista Pessanha e Renan Eduardo Saes. Todos morreram na hora. O monomotor saiu de Itápolis, em São Paulo, fez uma

Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.

Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.

A pergunta que ninguém faz

Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.

E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.

O que fazer

Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.

A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.