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O projeto solitário de Gilberto Kassab

Análise · Beatriz Fonseca Houve um tempo em que convenções partidárias serviam para decidir, e não apenas para celebrar, os candidatos…

O projeto solitário de Gilberto Kassab
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Análise · Beatriz Fonseca

Houve um tempo em que convenções partidárias serviam para decidir, e não apenas para celebrar, os candidatos de uma eleição. A convenção nacional do Partido Social Democrático (PSD), realizada neste domingo, 26 de julho, em São Paulo, não foi um desses momentos. Com a formalização da candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência e de seu presidente, Gilberto Kassab, à Vice-Presidência, o partido deu forma a um projeto político que parece, até aqui, mais um exercício de afirmação institucional do que um movimento com pretensões de poder imediato.

Em seu discurso, Caiado, que renunciou ao governo de Goiás em março para concorrer, criticou a polarização e citou o que as pesquisas indicam ser o ponto fraco de seus adversários mais visíveis: a rejeição. "Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional", afirmou o candidato, em referência a levantamentos como o do Datafolha de 24 de julho, que aponta rejeição de 48% a Flávio Bolsonaro e de 46% a Lula. A de Caiado, segundo o mesmo instituto, é de 12%.

A candidatura nasce como uma chapa "puro-sangue", sem coligações anunciadas. Esta escolha sinaliza duas realidades. A primeira é o isolamento de um projeto que se apresenta como alternativa. A segunda, e talvez mais relevante, é a centralidade de seu arquiteto. Gilberto Kassab, fundador de uma legenda que detém o maior número de prefeituras do país, não é apenas o vice; é a própria razão de ser da candidatura. "Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab", reconheceu Caiado no palco do evento.

É minha opinião que esta candidatura se explica menos pela viabilidade eleitoral de Caiado em 2026 e mais pela estratégia de Kassab para o futuro do partido. Ao lançar um nome próprio, o PSD se posiciona como um ator independente, capaz de negociar em seus próprios termos em um eventual segundo turno e, principalmente, de manter sua vasta estrutura municipal coesa para além das disputas nacionais. O partido de Kassab, que já esteve nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, e hoje participa da gestão de Tarcísio de Freitas em São Paulo, parece mais interessado em consolidar sua posição de grande partido de centro do que em conquistar o Palácio do Planalto desta vez.

Ao se apresentar como um gestor que deixou o governo de Goiás com 88% de aprovação, Ronaldo Caiado oferece um argumento de competência. A questão que se abre, no entanto, não é se ele tem um modelo de governo, mas se há um espaço político real para que ele seja apresentado.

Beatriz Fonseca — Política nacional — chefia. Xaplin.

Leia o factual: PSD oficializa candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência

Fontes: Agência Brasil · g1 · CNN Brasil · UOL